Colunista do blog
Grito de um “Quero Quero”: reminiscências
Num dia desses ao ouvir o grito de um “Quero Quero”, ave símbolo do Rio Grande por alguns segundos acabei viajando no tempo, fui lá na minha infância e acabei por vislumbrar a frente da Estância da Acácia no Azevedo Sodré, cheguei ouvir meu avô dizendo: “Tchê! Deve ter algum sorro lá na coxilha que levantou esse Quero Quero.” Sem querer vislumbrei a coxilha que ficava bem a frente da Estância e ao longe somente a sombra das aves que revoavam sobre alguma coisa que não se via(e o não ver era mágico fervia a imaginação). Rapidamente me dei conta que o campo é a maior aula de filosofia que se tem na vida, tanto que o filósofo alemão um dos pensadores fundamentais do século XX, Martin Heidegger, consagrou sua obra “O Caminho do Campo”, descrevendo toda a história do pensamento ocidental num caminho em um campo. A Obra começa assim: “Do portão do jardim do Castelo estende-se até as planícies úmidas do Ehnried. Sobre o muro, as velhas tílias do jardim acompanham-no com o olhar, estenda ele, pelo tempo da Páscoa, seu claro traço entre as sementeiras que nascem e as campinas que despertam, ou desapareça, pelo Natal, atrás da primeira colina, sobturbilhões de neve...”