Terceira audiência da Justiça Militar no Caso Gabriel aconteceu nesta segunda-feira, em Santa Maria; cinco policiais militares depuseram perante a juíza militar (foto reprodução/RBS TV)

Nesta segunda-feira (14), aconteceu a terceira audiência da Justiça Militar que apura o desaparecimento e morte do jovem Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, ocorrido em agosto em São Gabriel após abordagem policial. A audiência aconteceu na sede do Tribunal de Justiça Militar, em Santa Maria, e ouviu cinco policiais militares, entre eles o Capitão Magno Siqueira e quatro policiais que estavam de serviço na fatídica noite. 

Segundo o Diário de Santa Maria, os policiais relataram os fatos ocorridos na noite do desaparecimento e também acabaram acusando a Polícia Civil de supostos crimes, embora sem provas materiais. Em um dos depoimentos, o Capitão Magno Siqueira, da Brigada Militar, afirmou que "era comum policiais levarem pessoas de um lugar para outro para resolver ocorrências sem levar para a delegacia". 

"Seria muita hipocrisia eu dizer que não,  mas muitas vezes quando se tem uma ocorrência de perturbação, se pega o indivíduo num lugar e se larga a 8 ou 10 quadras dali. Quando não se enquadra em caso de prisão, não tem o que fazer", afirmou ele. 

O capitão falou que acredita que os policiais haviam deixado Gabriel no local e que ele, embriagado, teria entrado na barragem se guiando pelas luzes da cidade e acabou se afogando. Ele disse ainda como foi a localização do corpo do jovem. "Tínhamos as imagens dos policiais chegando com as fardas limpas no quartel e no meu pensamento investigativo concluí que eles não tinham como ter colocado ele dentro da barragem", relatou o capitão, que tem constantemente defendido os policiais acusados da morte do jovem.  

Sobre a suposta carona para Gabriel na noite em que o jovem foi abordado, o capitão afirmou que os policiais erraram. "Tecnicamente foi um erro de procedimento eles terem algemado e levado ele até lá (açude)", disse Siqueira. 

Os três policiais militares investigados pelo desaparecimento e morte de Gabriel - o segundo-sargento Arleu Cardoso Júnior Jacobsen e os soldados Cleber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso - estavam presentes, acompanhando os depoimentos e ao seu redor, acompanhados de PMs fardados. 

Além de familiares de Gabriel, as famílias dos policiais presos em Porto Alegre também estavam presentes e no intervalo aproveitaram para ficarem juntos.

A primeira audiência aconteceu no dia 1º de novembro, quando Anderson da Silva Cavalheiro, 40 anos, pai de Gabriel, prestou depoimento no Tribunal de Justiça Militar (TJMRS), em Porto Alegre. A segunda audiência foi realizada no fórum de São Gabriel, onde quatro testemunhas civis foram ouvidas em 4 de novembro. 

RELEMBRE O CASO
Na noite de 12 de agosto, Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, tinha se perdido da casa de seu tio no Bairro Independência, onde estava residindo para realizar exames de admissão ao Exército na semana seguinte. Próximo da meia-noite, ele chegou na casa de uma vizinha na rua Sete de Setembro, que acionou a Brigada Militar porque segundo ela, ele queria forçar a entrada no local.

Os policiais militares chegaram ao local, algemaram e teriam agredido Gabriel, que foi imobilizado e levado para dentro de uma viatura da BM. Testemunhas afirmaram que ele foi atingido por "pelo menos dois ou três golpes de cassetete" e foi a última vez que ele foi visto com vida. 

O tio dele deu falta no dia seguinte e informou a família, que iniciou as buscas e ao chegar junto à Brigada Militar, a corporação negou inicialmente e depois, corrigiram a informação, onde afirmaram que o jovem foi levado até o Lavapé, a 2 km de onde ele foi abordado, "a pedido dele". 

As buscas foram feitas na região durante cinco dias e concentradas em um açude, até que no final da tarde de 19 de agosto, o corpo foi localizado submerso nas águas. Os três policiais foram imediatamente presos, após comoção popular e continuam detidos no Presídio Militar de Porto Alegre. 

Os três policiais prestaram depoimentos em três ocasiões, sendo duas vezes para a BM e uma para a Polícia Civil. Em todas, eles negaram envolvimento no assassinato de Gabriel. Os laudos apontaram que Gabriel morreu vítima de hemorragia interna, causado por ação de "instrumento contundente" e os policiais foram indiciados no inquérito militar por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Em 1º de setembro, a Polícia Civil indiciou os suspeitos por homicídio doloso triplamente qualificado.

Reportagem: Marcelo Ribeiro, com informações do Diário de Santa Maria 
Data: 15/11/2022 13h07
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