Vigília foi realizada no final da tarde desta quarta em São Gabriel, para lembrar dois meses da morte de Gabriel Marques Cavalheiro, durante abordagem policial em 13 de agosto (fotos Marcelo Ribeiro/portal Caderno7)

Na tarde desta quarta-feira, 12 de outubro, familiares do jovem Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, realizaram uma vigília em frente à Igreja Matriz do Arcanjo, para lembrar os dois meses de sua morte durante abordagem policial no Bairro Independência. Cerca de 30 pessoas, além dos pais de Gabriel, Anderson Cavalheiro e Rosane Marques, bem como demais familiares participaram do ato. 

Alguns dos presentes vestiram camisetas com a foto do jovem e o pedido de Justiça


Pais e irmãs de Gabriel vieram de Guaíba para o ato e continuam à espera de justiça e condenação dos três policiais indiciados pela morte do jovem

Os familiares querem agilidade para a punição dos três policiais presos, na Justiça Militar e também na Comum. O pai de Gabriel, Anderson Cavalheiro, cobra respostas da Corregedoria da Brigada Militar. "Queremos respostas, não nos falaram mais nada e nem dão mais detalhes do que é investigado pela Brigada Militar, se é que está sendo investigado. O caso dos telefones celulares mesmo, não nos deram resposta", lamentou. Uma faixa, que foi a mesma usada no desfile farroupilha pelo PTG Herança dos Carreteiros, foi estendida na esquina da Igreja Matriz. 

Familiares também questionam porque o Capitão da BM Magno Siqueira, que respondia pelo comando na época do desaparecimento de Gabriel, não foi afastado e que ele pouco deu colaborações para a resolução do caso e que "muitas coisas tem que ser respondidas por ele", clamaram. Magno está em Santana do Livramento atualmente. Antes do ato, os pais de Gabriel foram até o Cemitério local para visitar seu túmulo. 

Por várias vezes, gritos de "justiça, justiça", foram dados pelos familiares, puxados pela prima de Gabriel, Katiuscia Pacheco. Segundo o portal G1, o processo está tramitando regularmente no Tribunal de Justiça Militar. O pai de Gabriel deve ser ouvido no dia 1º de novembro em Porto Alegre, enquanto outras 10 testemunhas serão ouvidas no dia 4 de novembro em São Gabriel. 

No Tribunal de Justiça do Estado, o processo está na fase de citação e apresentação de defesa pelos réus, por meio de seus advogados. 

Vigília aconteceu na esquina da Igreja Matriz, em frente à Praça

Prima de Gabriel, Katiuscia Pacheco era uma das que mais se manifestou pedindo justiça pelo jovem

Relembre o caso
Gabriel desapareceu no final da noite de 12 de agosto, em São Gabriel, após ser abordado por três policiais militares na Avenida 7 de Setembro. Uma vizinha da casa em que ele estava hospedado, chamou a polícia porque, segundo ela, o jovem estaria forçando o portão que dá para o pátio em frente ao imóvel.

Os policiais teriam agredido Gabriel, que foi imobilizado e levado para dentro de uma viatura militar. Testemunhas disseram que ele foi atingido por "pelo menos dois ou três golpes de cassete". Essa foi a última vez que Gabriel teria sido visto com vida. 

O tio de Gabriel deu falta do sobrinho no dia seguinte, 13 de agosto, e comunicou a família em Guaíba. Com a ajuda do Corpo de Bombeiros, os familiares que residem em São Gabriel começaram a procurá-lo. A família de Guaíba chegou em São Gabriel no dia 15 de agosto.

A Brigada Militar (BM) negou, inicialmente, que tivesse levado Gabriel de viatura até algum lugar. Depois, a corporação corrigiu a informação e disse que os policiais levaram o jovem para uma região no interior do município conhecida como Lava Pés, distante cerca de 6 km de onde houve a abordagem. O sistema de GPS do veículo indicava que foi feito o trajeto até o local.

As buscas foram feitas a pé, com o uso de cães farejadores e com um helicóptero ao longo de oito dias. O corpo foi localizado no dia 19 de agosto, submerso em um açude na localidade. Apesar de negarem envolvimento, mensagens de texto trocadas pelos policiais deram conta do seu envolvimento no crime. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 12/10/2022 19h44
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