Coletiva de imprensa realizada pela Polícia Civil em Porto Alegre anunciou que PMs foram indiciados por homicídio triplamente qualificado (foto Eduardo Matos/RBS TV/GZH)

A Polícia Civil indiciou os três PMs investigados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, que estão presos preventivamente em Porto Alegre por homicídio triplamente qualificado, nas qualificadoras de motivo fútil, emprego de tortura e utilização por parte dos PMs de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O resultado do inquérito foi anunciado nesta quinta-feira (1º), em coletiva no Palácio da Polícia, em Porto Alegre.

O relatório final do inquérito que investigou a morte  foi divulgado na tarde desta quinta-feira (1º). O delegado José Soares Bastos, de São Gabriel, que conduziu a investigação, apresentou os detalhes em entrevista na sede do Palácio da Polícia, em Porto Alegre. Participaram da coletiva ainda o delegado regional de São Gabriel, Luís Eduardo Benites,  o subchefe de polícia, Vladimir Urach, o chefe de polícia, Fábio Motta Lopes, e o diretor do Departamento de Polícia do Interior, Nedson Ramos de Oliveira.

Mesmo com a entrega do inquérito, ainda estão sendo investigadas circunstâncias do crime, como por exemplo, como e quem pode ter levado o corpo do jovem até o açude situado no Lavapé onde ele foi encontrado em 19 de agosto, uma semana depois do seu desaparecimento. "Se o jovem Gabriel morre na viatura, se foi depois de ser deixado na localidade, não sabemos. O que sabemos é que ele morreu em decorrência dessas agressões", disse o Chefe da Polícia Civil, delegado Fábio Motta Lopes. 

O laudo de necropsia constatou que Gabriel morreu por hemorragia interna causada por agressão na coluna cervical, além de ter marcas de agressão na cabeça. " Temos elementos que mostram que o Gabriel foi agredido com um tapa, caiu e bateu com a cabeça em um paralelepípedo. Depois foi algemado e agredido com um cassetete", destacou o delegado Bastos. 

A Polícia Civil destacou ainda que pretende fazer, com o Instituto-Geral de Perícias (IGP), a reprodução simulada dos fatos. Os policiais, identificados como o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen e os soldados Cléber Renato Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso seguem presos no Presídio Militar de Porto Alegre. O inquérito agora deve ser remetido ao Ministério Público, que também acompanha e investiga o caso.

ENTENDA O CASO
Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, foi abordado no final da noite de 12 de agosto pelos policiais, após eles serem acionados via 190 por uma mulher que alegou que o mesmo estaria tentando entrar em sua residência na Rua 7 de Setembro, no Bairro Independência. Ele estaria embriagado e veio a se perder da casa do seu tio, onde ele estava residindo há quinze dias para prestar exames de alistamento ao Exército Brasileiro, visto que residia em Guaíba. 

Após ser levado na viatura pelos PMs, ele não foi mais visto. Uma semana depois, em 19 de agosto, o corpo dele foi encontrado a dois quilômetros de onde ele foi abordado, dentro de um açude no Lavapé. Os policiais tinham registrado em ocorrência que revistaram Gabriel e o liberaram, o que se comprovou não ser verdade pois a família afirma que ele não conhecia a cidade. 

No Inquérito Policial Militar (IPM), eles admitiram ter levado o jovem para a localidade, sob a alegação de que "queria encontrar familiares", o que também foi negado. Os policiais negaram nos depoimentos ter feito algo com o jovem, o que foi contradito pelos laudos apresentados. Na segunda, 29 de agosto, o laudo da necropsia apontou que Gabriel morreu em decorrência de hemorragia interna causada por golpes de objeto contundente, o que de acordo com o IPM da Brigada Militar, teria sido pelas agressões.

Nesta quinta, o Jornal do Almoço, da RBS TV, revelou que além de vestígios de sangue na viatura usada pelos policiais militares na noite do crime, mais uma viatura apresentou estes vestígios e que pode ser a usada por volta das 3h42 na região. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 01/09/2022 16h43
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