Depoimento de testemunha afirmou que Gabriel Marques Cavalheiro teria sido agredido com tapas e golpes de cassetete antes de ser colocado em viatura e que seria levado para "longe para não incomodar", mesmo com jovem tendo dito que "estava perdido da casa do tio" (foto arquivo pessoal)


Detalhes que vem sendo revelados sobre o desaparecimento e morte de Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, vem chocando a comunidade gabrielense. A Polícia Civil vem tomando depoimentos de testemunhas e de suspeitos de envolvimento na abordagem ocorrida na noite de 12 de agosto que resultou no trágico fim do jovem que estava em São Gabriel para prestar exames para o serviço militar. Uma testemunha afirma que a vítima em momento algum teria pedido para ser levado para o Lavapé e que agressões foram confirmadas.

Segundo o informado por GZH, um dos depoimentos afirmou que um dos policiais militares (um dos soldados) disse que durante a abordagem, que "caso não achassem o familiar dele iriam largá-lo longe para não retornar mais para o local incomodar". A testemunha também declarou que em nenhum momento Gabriel citou a localidade de Lavapé para ser deixado, mas que ele "não era da cidade e estava perdido da casa do tio", ao contrário do afirmado pelos policiais militares que atenderam a ocorrência.

Testemunhas também relataram à polícia que Gabriel foi agredido durante a abordagem. Um dos relatos apontou que o jovem teria chamado um dos policiais de "fraco" e, nesse momento, acabou agredido com um tapa tão forte que o derrubou. Enquanto estava caído, teria levado três golpes de cassetete na cabeça. Conforme depoimentos, Gabriel foi retirado do local da abordagem parecendo estar desacordado. A viatura usada na ocorrência ficou cerca de 1 minuto e 50 segundos nas proximidades do açudes, segundo o GPS do carro.

Os policiais tiveram a prisão preventiva concedida pela Justiça de São Gabriel na terça-feira (26), somada à prisão preventiva já determinada pela Justiça Militar do Estado e estão recolhidos no Presídio Militar de Porto Alegre. 

As defesas dos policiais, identificados como sendo os soldados Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima e o segundo-sargento Arleu Júnior Cardoso, vem afirmando que seus clientes são inocentes. A advogada Vânia Barreto, que defende Cléber de Lima, negou que eles tenham agredido Gabriel e disse que eles o levaram para a localidade de Lava Pé a pedido dele, mas não o conduziram até o açude onde o corpo foi encontrado, uma semana depois. 

Os advogados Ivandro Bitencourt Feijó e Mauricio Adami Custódio, que defendem o segundo-sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, por meio de nota, também disseram que o cliente é inocente e manifestaram "indignação" com suposta "antecipação de culpa" do segundo-sargento, que, segundo eles, "não ostenta qualquer comportamento à margem da ética policial-mlitar ao longo de toda sua carreira" .

Maurício Custódio ainda se manifestou no programa Central CDN, da Rádio CDN de Santa Maria e reforçou que seu cliente é inocente, nesta quinta (25). "Para deixar bastante claro, nós, desde o início, quando prestamos as primeiras declarações, estamos deixando clara a inocência do sargento Jacobsen. Em nenhum momento ele participou de qualquer fato que tenha levado ao óbito do Gabriel, não viu agressões e nenhum tipo de mal a esse menino. Não houve o que está sendo divulgado. Ele é inocente, não participou do fato, não praticou o fato, estamos contribuindo com as investigações", afirmou. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 26/08/2022 08h42
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