Ao final do jogo contra o São Gabriel, zagueiro Lucão fez acusações de que torcedores teriam proferido ofensas de injúria racial, o que está sendo investigado pela Polícia; dirigentes que estavam no local negam que torcedores tenham dito algo (foto reprodução FGF TV)

Uma polêmica surgida no final do jogo entre São Gabriel e Guarani de Venâncio Aires pela Divisão de Acesso, realizado no Municipal no último domingo (22) está sendo investigada pela Polícia Civil e suscita dúvidas, ainda mais que trata de uma acusação grave. O jogador Lucão, do Guarani, afirmou ter sofrido suposta injúria racial no final da partida vencida pelo São Gabriel e denunciou na polícia. Porém, não soube identificar os autores das ofensas. 

O fato foi registrado em súmula pelo árbitro Solano de Oliveira. O atleta alegou que após discussão com o zagueiro do Sâo Gabriel, Pedro Lima (registrado na súmula erroneamente como Paulo Henrique Borges), o defensor do Guarani-VA procurou a arbitragem relatando que ele teria sofrido injúria racial de dois torcedores do time da casa, mas que não foram identificados de momento. O árbitro questionou o jogador se ele conseguiria identificar os infratores e Lucão teria informado que eles não estavam mais no local. Um boletim de ocorrência foi registrado.

Os dirigentes do São Gabriel questionaram a veracidade da denúncia do jogador. "O jogador Lucão disse que foi ofendido, mas isso não aconteceu. Ele afirma, mas, ninguém mais viu ou ouviu. O São Gabriel está atento aos fatos. Eu estava perto dele o tempo todo, a polícia também, mas além de acusar é preciso provar. Se tivesse ocorrido algo, faríamos questão de que a pessoa fosse detida. Perguntei ao Lucão quem foi e ele não soube me apontar", afirmou o presidente, Arthur de Barros. 

O vice-presidente, Max Lara, reforça que o clube repudia atos de racismo, tanto é que a equipe carregou uma manifestação no começo da partida. Nas imagens da TV FGF que estão no YouTube, Lucão é contido em discussão com jogadores do São Gabriel, bastante exaltado, chega a ser contido pelo presidente Arthur e é vaiado pela torcida e retornou ao campo apontando um suposto torcedor que teria ofendido o atleta, mas não se identifica se ocorreu a ofensa ou quem teria feito esta mesma. Após muita discussão em campo durante cerca de dez minutos, Lucão saiu com o gesto antirracista, de um braço levantado e punho cerrado. 

O Guarani emitiu nota sobre o caso. “O E.C. Guarani-VA está a par sobre o fato ocorrido e que está se tornando algo corriqueiro, e por muitas vezes um grande espetáculo é prejudicado por causa de um ou dois torcedores que acabam prejudicando seu clube”, diz a nota. O clube, por meio da assessoria, salienta que a ideia é pedir a identificação do torcedor, não a punição do adversário.

O delegado José Soares Bastos informou que já recebeu a ocorrência registrada e instaurou inquérito para apurar os responsáveis pela injúria racial, se for confirmada. “Vamos buscar as imagens e tentar identificar os suspeitos, pois o jogador relatou as características físicas e as vestes de duas pessoas que teriam cometido os atos de injúria racial”, falou o delegado, acrescentando que também poderão ser utilizadas, caso existam, “imagens extraoficiais, feitas com telefones celulares”.

A questão é a seguinte: embora a reclamação do jogador seja legítima, tem de ser investigado se realmente aconteceu isso. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 25/05/2022 07h56
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