Mais uma vez, 7 de fevereiro é lembrado como o dia do martírio de Sepé Tiaraju, herói gaúcho e brasileiro; sessão online do NEABI Unipampa lembrará a data (fotos Marcelo Ribeiro/site Caderno7)

A morte de Sepé Tiaraju completa nesta segunda-feira, 7 de fevereiro, 266 anos. Ocorrida em 1756, durante a Guerra Guaranítica, o martírio de Sepé será lembrado em um evento online realizado pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) do Campus São Gabriel, via Google Meet, a partir das 17 horas, visto que eventos presenciais ainda estão restritos pelo recrudescimento da pandemia. 

Sepé Tiaraju liderou resistência dos Sete Povos contra portugueses e espanhóis (foto divulgação)

Guerreiro indígena tombou na Sanga da Bica, após ser golpeado por lança por um soldado e morto com um disparo de arma de fogo pelo espanhol Joaquim Viana, onde hoje é São Gabriel

Antes da pandemia, em 2020, uma comissão da Igreja Católica formada na Diocese de Bagé tratava da canonização de Sepé Tiaraju como santo e teve evento em São Gabriel em 7 de fevereiro daquele ano. As atividades aconteceram no Salão Paroquial, na Sanga da Bica e em Caiboaté, onde mais de 1500 índigenas foram massacrados por portugueses e espanhóis. 

Nascido por volta de 1723 em São Luís Gonzaga, Sepé é reconhecido como herói guarani missioneiro rio-grandense e herói da pátria brasileira, por ter defendido a dignidade do povo brasileiro até a sua morte. Tiaraju foi um guerreiro indígena brasileiro, considerado santo popular e declarado "herói guarani missioneiro rio-grandense" por lei. 

Chefe indígena dos Sete Povos das Missões, liderou uma rebelião contra o Tratado de Madri. Sepé é, historicamente, conhecido por ter resistido aos ataques militares espanhóis e portugueses do período colonial. Foi morto em 7 de fevereiro de 1756, nas proximidades da Sanga da Bica, onde seu cavalo teria pisado em um buraco e o derrubou; ao levantar, foi golpeado com uma lança por um soldado português e após, o espanhol Joaquim Viana deu-lhe um tiro mortal com uma pistola.

Em 2006, uma série de atividades lembrou os 250 anos da morte de Sepé na Sanga da Bica, com shows e palestras, além de um espetáculo cênico no local. O evento, que teve apoio do Governo Federal, marcou a entrada pela primeira vez do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) na cidade. No Parque Tradicionalista, movimentos sociais se hospedaram no local. 

Três dias depois, em 10 de fevereiro de 1756, mais de 1500 guaranis foram massacrados na batalha de Caiboaté; cruz assinala local do massacre, a quinze quilômetros da zona urbana

No dia 21 de setembro de 2009, foi publicada a Lei Federal 12.032/09, que traz em seu artigo 1º o texto "Em comemoração aos 250 (duzentos e cinquenta) anos da morte de Sepé Tiaraju, será inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da Democracia, o nome de José Tiaraju, o Sepé Tiaraju, herói guarani missioneiro rio-grandense." Como homenagem ao heroísmo e à coragem de Sepé Tiaraju, a rodovia RS-344 recebeu o seu nome. 

Existe também no Rio Grande do Sul o município de São Sepé, nome que reflete a devoção popular pelo herói indígena. Sepé também é lembrado em monumentos em várias cidades das Missões e aqui na Sanga da Bica, inaugurada em 2015, quando mais de 200 indígenas compareceram às comemorações na época. Nas Missões, em Santo Ângelo e São Miguel das Missões por exemplo, sua memória é mais valorizada como referencial histórico e turístico.

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI) da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) do Campus São Gabriel realizará uma sessão solene online para lembrar os 266 anos da morte de Sepé Tiaraju e da Batalha do Caiboaté, ocorrida em 10 de fevereiro, onde mais de 1500 índigenas foram massacrados por portugueses e espanhóis. A sessão solene terá o nome de "Oxalá Sepé" e deverá ser realizada para convidados. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 07/02/2022 13h09
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