Anderson e Fernanda tinham ido conhecer a Cidade Imperial quando foram surpreendidos pelas fortes chuvas e ficaram ilhados por cerca de 6 horas (foto arquivo pessoal)

O que era para ser um momento de descontração e lazer por conta de férias, se transformaram em momentos de pânico para um casal de gabrielenses que estava em Petrópolis, no Rio de Janeiro. O 1º Sargento do Exército e diretor do Curso que leva seu nome, Anderson Leite, 44 anos, e a esposa Fernanda, 29, estavam visitando o Museu Imperial de Petrópolis na terça (15) quando foram surpreendidos pela enxurrada causada pelas fortes chuvas que mataram até o momento mais de 100 pessoas. Anderson falou com a reportagem do site Caderno7 sobre a situação vista de perto. 

Anderson e Fernanda tinham chegado à cidade no começo da tarde para conhecê-la, por conta dos atrativos turísticos e acabaram presenciando momentos de terror com a enxurrada que praticamente destruiu a cidade. Eles saíram do museu às pressas e ficaram ilhados numa zona elevada da cidade, enquanto a chuva - que atingiu 250 milímetros naquele dia - desabava, arrastando prédios e casas inteiras no mar de lama. Ficaram dentro de um Chevrolet Prisma por cerca de 6h, junto com o motorista contratado para a viagem desde a capital fluminense.  "Ficamos no ponto mais alto que deu, graças ao motorista, que foi andando onde deu, enquanto o rio ia subindo e estourando os carros por cima de tudo", afirmou. 

Só conseguiram sair do local por volta das 23h e ao chegar ao Rio no começo da madrugada, conseguiram falar com os filhos Fernando, de 8 anos e Rafaela, de 4, que ficaram em São Gabriel com os avós. Anderson relata que quando chegaram, o tempo estava nublado e começou a garoar no Palácio Quitandinha, onde tinham ido conhecer. "Dali fomos pro museu, mas no caminho minha mulher teve uma intuição. Quando chegamos, ela percebeu que tinha muito declive, muita construção em pé de morro. Ela se assustou e perguntou ao motorista o que acontece quando chove. Ele disse que alagava tudo", reafirmando que não chovia forte até chegarem ao museu. 

"Eu estava tranquilo com a Fernanda no museu e de repente, ela começou a me apurar para ir embora. Foi quando notei que os seguranças estavam fechando as janelas, estava entrando água. Pegamos capas de chuva na loja do museu, chamamos o carro, mas acabamos nos molhando com o tanto de água que caiu", asseverou. Anderson atribuiu a mulher e também ao motorista por estarem salvos da tragédia. 

"Quando a gente saiu pela rua detrás do museu, já dava para ver o rio querendo transbordar. Ele fez uma manobra, pegou outra rua e foi o máximo que pode para cima. Quando ele conseguiu subir, estourou o rio. A gente desceu, olhou para trás e o rio estava alagando tudo, estourando os carros, por cima de tudo. Isso era onde a gente estava há dois minutos", dizendo que ficaram ali no ponto alto, com mais de cem pessoas que conseguiram escapar e que a situação era desesperadora. "O rio levou tudo, carro, ônibus, tudo, ficamos ali até depois das dez da noite", ainda dizendo que choveu mais duas horas. 

O momento foi desesperador. "Queríamos sair dali para ligar para casa, pensamos demais nos nossos filhos, mas conseguimos passar quando a água baixou e aí tivemos noção da tragédia que atingiu a cidade. O trajeto até a BR dava sete quilômetros e levamos uma hora e meia para passar. Era cenário de guerra. Ambulância correndo para lá e para cá, muito barro, as pessoas chorando na rua, muita murada de casa desabando, carros dentro do rio, em cima de árvore, encostado em poste, virado. Muito desespero. Conseguimos retornar para o Rio e praticamente não dormimos, conseguimos falar com a família e quando vimos as notícias, nos demos conta que nascemos de novo", finalizou. 

A tragédia atingiu a cidade centenária, conhecida como Cidade Imperial por ter sido a capital do Império brasileiro e também por conta disso, por ter inúmeros atrativos turísticos, muitos deles agora afetados pelas chuvas.

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 17/02/2022 18h19
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