18 março 2021

Lanchonete torna-se sala de aula para acadêmico que não possui wi-fi em casa


Em seu terceiro semestre na Urcamp, Jonathas é exemplo de superação e reforça que não desistirá de seu sonho de ser educador físico

Jéssica Pacheco
Especial/Caderno7

Estudar, por si só, com e sem dificuldades, é uma tarefa que exige muito comprometimento e força de vontade. Para a Urcamp, uma instituição que forma profissionais há 65 anos, encontrar alunos que superam barreiras e não desistem de seus sonhos, reforça a missão de ensinar. A história de hoje é de Jonathas Matheus da Rosa Santana, acadêmico do curso de Educação Física, campus São Gabriel, que, sem internet em casa e no celular, caminha diariamente para assistir às aulas em duas etapas: primeiro dentro da lanchonete que a mãe trabalha, e depois do lado de fora.

Jonathas, na segunda-feira, enviou uma mensagem ao professor informando que teria de sair mais cedo da aula, tendo em vista que estava frio e não conseguiria mais ficar sentado na rua para acompanhar a turma. O depoimento, que aconteceu de forma despretensiosa e com o único objetivo de justificar a sua ausência após as 21 horas, causou comoção no docente, que levou o relato à Gestão.

Em conversa com a assessoria de imprensa da Urcamp, Jonathas, que mora em Santa Margarida do Sul, aproximadamente 16 km de São Gabriel, contou que em tempos anteriores, tinha wi-fi em casa, porém, há quase dois anos foi removida por falta de sinal. Ao ingressar na faculdade, no primeiro semestre de 2020, quando tivemos de transformar o ensino presencial em remoto, o estudante contratou um plano de internet para dados móveis. Até o fim do ano passado, Jonathas utilizava exclusivamente para assistir às videoconferências, já que o pacote era limitado e, muitas vezes, não chegava ao fim do mês. “Não lembro, mas era em torno de três semanas ou menos que isso. Aí quando faltava, eu buscava algum app que pudesse me ajudar com internet grátis (vpn), mas aqui é ruim pegar 4G e a saída era rotear a internet do celular da minha mãe pra eu conseguir usar normalmente”, relata. Quando não tinha mais condições de manter o plano de celular, outra barreira se mostrava no caminho, mas o estudante encontraria outra solução.

O engajamento da mãe não contribui apenas com a internet que cedia ao filho, mas agora é fundamental para que o futuro educador físico não perca aula. Como Luana Beatriz é funcionária de uma lanchonete, o estudante teve a permissão do proprietário para utilizar o wi-fi do estabelecimento, enquanto as portas estão abertas. Assim que o expediente encerra, ali pelas 20 horas, Jonathas migra para a rua, onde termina de assistir às aulas, independente das condições climáticas.

O aluno já sabia que seu destino era Educação Física desde criança. “Eu escolhi o curso porque quando eu estudava no ensino fundamental e ensino médio, vi que a interação do professor com o aluno era diferente, era divertido e me interessou muito essa área”. Porém, o que mais chama atenção é a persistência de Jonathas, que mesmo com tantas dificuldades, não desistiu da faculdade. Questionado sobre os empecilhos que batem à porta, ele justifica sobre o porquê de continuar: “A busca pela graduação e o desejo de ver minha família feliz com o filho formado”.

Esse pensamento sobre a graduação segue intacto, tendo em vista que, mesmo morando em uma cidade diferente do campus, o acadêmico optou por dar continuidade aos estudos e ir atrás de seus ideais. “Basicamente, o ensino superior sempre esteve no meu sonho, pois não vejo outro caminho de futuro sem a educação. E eu comecei a me interessar pela educação física no 8º ano do fundamental, porém eu sempre gostei de atividade esportiva e isso me motivou mais ainda a seguir essa graduação”.

Jonathas tem a avó e uma tia em São Gabriel, onde tem internet wi-fi. Desde que iniciou seus estudos, às vezes vai passar alguns dias com elas para “poder assistir as aulas de dentro de casa, sem precisar ficar na rua”. E apesar de frequentar diariamente o Google Meet, através da tela do celular, quem hoje nos deixa uma lição é ele. “Bom, na minha opinião a principal dificuldade é a falta de internet, fazendo com que eu saia de casa e voltando só à noite com o perigo do asfalto à noite”.

O acadêmico de 19 anos é um exemplo de que, independente da jornada que cada um precisa trilhar, a força de vontade e a garra são capazes de encontrar soluções onde outros veriam apenas problemas. Realmente, a educação é a aposta mais certeira no futuro, e temos orgulho de ter em nosso corpo discente, alunos como Jonathas, que além de buscar a nossa Instituição como berço do ensino, também nos proporciona que aprendamos sobre as histórias que tantos enfrentam até chegar no dia da formatura.

A Urcamp, dentro de suas limitações, pensará em uma possibilidade para ajudar Jonathas, tendo como objetivo facilitar o seu acesso às aulas.

Reportagem: Jéssica Pacheco/Especial C7
Data: 18/03/2021 12h20
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