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Religiosos afro-brasileiros protestam contra manifestações de vereadora em São Gabriel

Declarações da vereadora Flavia Batista motivaram protestos de religiosos afro em São Gabriel, região e fora do Estado. Comitiva foi até a Câmara na segunda-feira, 2 de dezembro, para manifestação pacífica contra o racismo e o preconceito religioso
Uma declaração feita pela vereadora Flavia Batista (Progressistas) gerou polêmica nas redes sociais e foi vista como manifestação de intolerância religiosa por parte de diversos religiosos afro-brasileiros. O fato aconteceu na última semana após a entrega da Comenda Zélio Fernandino de Moraes, realizada no Poder Legislativo no dia 25 de novembro e na sessão de segunda, 2 de dezembro, religiosos e simpatizantes das crenças afro compareceram em peso em uma manifestação pacífica contra o racismo e preconceito.



A homenagem é para pessoas que defendem os costumes afros e a difusão das religiões de matriz africana que prestaram serviços filantrópicos em prol da causa negra. Justificando a ausência da sessão que teve a comenda - onde não indicou nenhum nome - Flavia alegou que a homenagem não era à raça negra, porque "algumas pessoas que receberam eram mais brancas que eu", questionando que a homenagem deveria ser entregue para a raça negra, de acordo com a opinião dela, o que foi o estopim da polêmica.

Isso motivou fortes manifestações de integrantes das religiões afro-brasileiras de São Gabriel, região e até mesmo fora do Estado, acusando a vereadora de racismo e intolerância religiosa. Postagens em redes sociais defenderam as religiões de matriz africana. As principais manifestações vieram de um dos homenageados, o babalorixá Moisés de Oxalá, Moisés Marques, que condenou as manifestações da vereadora.

Na tarde de segunda-feira, cerca de 60 umbandistas, organizados por Homero Costa e Moisés Marques, que foi homenageado com a Comenda naquela noite, compareceram à Câmara lotando o plenário para se manifestar contra as declarações da parlamentar. O Legislativo abriu espaço para ambas as partes. Flavia, em seu espaço, se manifestou sobre o fato e tentou pedir desculpas - embora não aceitas por muitos dos religiosos.

A vereadora alega que foi mal-interpretada, que não tivesse se expressado direito para falar sua opinião. "Nunca falei mal de religião de ninguém, se o projeto do vereador tem que ser melhor salientado, que seja, para que contemple mais religiões e cores. Se eu fui infeliz no meu comentário, peço desculpas", resumindo que quis justificar a ausência e acabou se expressando.

Moisés Marques se manifestou reforçando as contestações sobre as palavras da vereadora, destacando a permanente luta da religião contra o racismo institucional e intolerância religiosa. "Falo em nome de uma tradição, de todos os babalorixás, yalorixás e orixás, dizemos não à intolerância e o racismo, desmistificamos mitos e trabalhamos para esclarecermos sobre as religiões, nada contra a pessoa da vereadora, mas sobre as palavras dela, todo nosso repúdio", sintetizou o babalorixá, conhecida autoridade da religião afro na cidade e região.


A polêmica rendeu nos últimos dias na comunidade gabrielense e ganhou força, mostrando que é preciso combater a intolerância religiosa e o racismo institucional. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 03/12/2019 15h46
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