20 maio 2019

Opinião do leitor: A Farsul, o Associativismo e o Futuro

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da FARSUL

Construída a partir da necessidade de organizar a cadeia produtiva em um momento particularmente crítico de nossa história, nascia em 24 de maio de 1927 a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, a partir do legado de suas antecessoras, a Federação das Associações Rurais (FAR) e a pioneira Sociedade Agrícola e Pastoril, criada no distante ano de 1898, sob inspiração do diplomata e gênio político de São Gabriel, Joaquim Francisco de Assis Brasil. A criação da Farsul, em congresso no Theatro São Pedro, teve a liderança do então presidente do Estado, Borges de Medeiros. Quem conhece o suficiente a história gaúcha, sabe que Borges e Assis Brasil foram antagonistas ferozes. Mas, na linha do tempo e da história, a contribuição de ambos para a consolidação da unidade do agronegócio gaúcho foi inquestionável.



No ano em que a Farsul completa 91 anos de existência, esta ironia histórica que conciliou os esforços de dois inimigos políticos para a construção do associativismo rural, é praticamente uma síntese da missão da Farsul ao longo de mais de nove décadas: promover a unidade e o fortalecimento dos produtores rurais gaúchos, acima das divergências políticas que marcam a história do Estado, ao ponto do derramamento de sangue e do desperdício de vidas jovens. O lema que expressa o compromisso com sua causa declara que, “para a Farsul, produtor rural não tem tamanho”, para desfazer a falsa dicotomia entre a chamada agricultura empresarial e a familiar. Talvez esse lema mereça uma atualização, porque o produtor rural gaúcho tem tamanho, sim. Tamanho gigantesco na capacidade de superar adversidades econômicas, políticas tributárias injustas e, contra tudo e contra todos, construir recorde após recorde na produção de alimentos de qualidade. Talvez hoje em dia seja mais justo dizer que, “para a Farsul, todo produtor é grande”.

Os desafios hoje oferecidos ao associativismo rural não são nada desprezíveis. O fim das contribuições sindicais num país com uma cultura comunitária profundamente deficiente, e a divisão política radicalizada impossibilita até mesmo o diálogo para a construção de soluções para a Nação. É neste ambiente conflituoso que a voz da Farsul, seguindo de perto os rastros de sua própria história, precisa ecoar com firmeza em favor da serenidade, da harmonia entre contrários, e do fortalecimento das instituições. Que a Farsul continue lembrando os homens públicos de seus deveres com a causa objetiva da produção e do emprego, acima de suas ideologias ou crenças.

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