Após cinco dias de julgamento, o Tribunal do Júri da Comarca de São Gabriel anunciou, no início da madrugada deste sábado, 4 de julho, a sentença dos três réus acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos. Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, 46 anos, Raul Veras Pedroso, 32, e Cléber Renato Ramos de Lima, 44, foram condenados a 24 anos de prisão, cada um, pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além da pena de reclusão, os três também perderão os cargos públicos e deverão pagar indenização à família da vítima, fixada em R$ 100 mil. A sentença foi lida pela juíza Liz Gratchen a partir da 1h15. Durante a leitura, a magistrada se dirigiu aos familiares de Gabriel e afirmou: “Sinto muito pela perda de vocês”. Ao final, entregou uma cópia da decisão aos pais do jovem, Anderson Cavalheiro e Rosane Marques.
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| Pais de Gabriel, Rosane Marques e Anderson Cavalheiro, acompanham o anúncio da sentença sob forte emoção: justiça após quatro anos de angústia |
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| Magistrada Liz Gratchen agradeceu o apoio de todos e destacou o grau de dificuldade do júri, um dos maiores já realizados na Comarca de São Gabriel |
O julgamento começou na segunda-feira, 29 de junho, e mobilizou familiares, advogados, representantes do Ministério Público, da Brigada Militar e profissionais da imprensa. Ao longo dos cinco dias, foram ouvidas testemunhas de acusação e defesa, peritos, policiais envolvidos na investigação e os próprios réus, que optaram por não responder às perguntas do Ministério Público.
A acusação foi conduzida pelos promotores Eugênio Paes Amorim, Maria Fernanda Rabelo e Karine Teixeira. O Ministério Público sustentou que os policiais assumiram o risco de provocar a morte do jovem ao levá-lo até a região do Lavapé após a abordagem ocorrida no fim da noite de 12 de agosto de 2022, na Rua 7 de Setembro, no Bairro Independência. A tese apresentada foi de que Gabriel não tinha condições de se proteger e que os réus deveriam ser responsabilizados criminalmente pela morte.
As defesas alegaram insuficiência de provas para a condenação e apresentaram a hipótese de participação de uma quarta pessoa no crime, apontando a possibilidade de envolvimento de um suposto caseiro que trabalhava na propriedade rural onde o corpo foi encontrado. Entre os momentos do julgamento estiveram os depoimentos dos pais de Gabriel, que relembraram os dias entre o desaparecimento e a localização do corpo, além da visita dos jurados ao local onde o jovem foi encontrado, realizada tanto durante o dia quanto à noite.
Após a sentença, os pais de Gabriel agradeceram à Justiça pelo resultado e também à imprensa pela cobertura do caso. “A gente só tem a agradecer por tudo. Se não fosse a mídia, o caso do Gabriel não teria tomado toda essa proporção que teve no Brasil inteiro. Tenho que agradecer vocês também por isso”, afirmaram. Eles também relataram sentimento de alívio após a decisão.
Os três policiais militares estavam presos desde agosto de 2022, em Porto Alegre, enquanto aguardavam o julgamento. A decisão da magistrada determinou a manutenção das prisões. Com a perda dos cargos, eles deverão ser encaminhados ao sistema prisional comum.
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| Amigos e familiares estenderam faixa na frente do Fórum, para lembrar e pedir justiça pelo jovem |
RELEMBRE O CASO
Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, estava em São Gabriel para prestar o serviço militar obrigatório. Na noite de 12 de agosto de 2022, ele havia saído da casa do tio, no Bairro Independência, para buscar bebidas alcoólicas quando foi abordado pelos policiais militares, acionados por uma moradora. Conforme relatos apresentados no processo, a testemunha teria pedido que os policiais não “judiassem” do jovem ao perceber agressões durante a abordagem.
O corpo de Gabriel foi encontrado em 19 de agosto de 2022, submerso em um açude na localidade do Lavapé, interior de São Gabriel. Os três policiais foram presos no mesmo dia e passaram a responder pelo caso.
Reportagem: Marcelo Ribeiro
Data: 04/07/2026 11h40
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