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| Segundo dia de depoimentos do júri do Caso Gabriel teve participação de peritos, oficial e vizinha, entre outros no Fórum local (foto Marcelo Ribeiro/portal Caderno7) |
O segundo dia de depoimentos do julgamento dos réus pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, nesta terça-feira (30), foi marcado por oitivas de peritos, da tenente-coronel Karla de Moura Incerti, responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM) do caso, e da mulher que acionou a Brigada Militar na noite em que o jovem desapareceu, em 12 de agosto de 2022. A sessão ocorreu no Fórum de São Gabriel.
O primeiro a depor foi o perito Áureo Felipe Norberto Duarte, responsável pela perícia no corpo de Gabriel. Ele afirmou que o jovem não apresentava sinais típicos de afogamento e que havia lesões na região do pescoço e da nuca. Segundo o perito, impactos nessa área podem causar perda rápida de consciência ou morte súbita, em razão da presença de estruturas vitais e vasos sanguíneos na região cervical. Questionado pela Promotoria sobre a possibilidade de a vítima caminhar após esse tipo de lesão, respondeu que os elementos periciais indicam que Gabriel teria entrado sem vida na água.
Na sequência, depôs a tenente-coronel Karla de Moura Incerti, indicada pela acusação. Ela afirmou que o IPM concluiu que os policiais assumiram o risco da morte de Gabriel ao deixá-lo na região do Lava Pé, onde o corpo foi encontrado dias depois. A oficial também relatou que houve divergências nos depoimentos dos acusados sobre o momento em que o jovem teria sido liberado e declarou que, “dos três, dois afirmaram que Gabriel saiu andando da viatura”.
Conforme relato da oficial, havia indicativos de que o jovem foi abandonado na região. Ao fim do depoimento, a sessão foi interrompida para intervalo, com retomada prevista para as 15h15min. Após o retorno, foi ouvido o perito criminal Railander Alves Barcellos, responsável pela 5ª Coordenadoria Regional de Perícias, que atende Santa Maria e outros 33 municípios da região. Durante a sessão, o promotor Eugênio Paes Amorim apresentou a jaqueta de Gabriel, encontrada nos primeiros dias de buscas no açude situado no Lava Pé, em agosto de 2022, após o desaparecimento do jovem.
Também prestou depoimento a mulher que acionou a Brigada Militar na noite do desaparecimento de Gabriel. A juíza Liz Grachten não autorizou filmagens ou fotografias da testemunha, que não terá o nome divulgado para preservá-la. Em juízo, ela relatou que estava em casa quando Gabriel se aproximou do portão. Segundo a testemunha, o jovem disse inicialmente que procurava uma prima e, depois, mencionou que buscava o “tio Pacheco”, familiar com quem estaria hospedado em São Gabriel.
A mulher afirmou que Gabriel dizia estar perdido e que essa informação foi repassada aos policiais quando a viatura chegou. Conforme o depoimento, o jovem também teria dito que não era da cidade e tentou explicar a situação. Em determinado momento, segundo a testemunha, um dos policiais teria questionado: “Se tu não és daqui, o que tu estás fazendo aqui?”. Ela relatou ainda que Gabriel teria feito um gesto, recebido um tapa e caído para trás com o impacto.
“Ele insistiu muito que estava perdido. Era só o que ele dizia”, afirmou. A testemunha disse ainda que foi informada de que o jovem seria levado à delegacia para que algum familiar fosse localizado. Ela recolheu um documento estudantil perdido por Gabriel após ser levado, teria pedido ainda que os policiais "não judiassem do guri" e que muita coisa dita não é verdade. "Minha vida foi destruída nessa noite", concluiu.
No começo da noite, foram iniciadas as oitivas das testemunhas da defesa. Não havia previsão de término para o segundo dia de julgamento. Segundo a Promotoria, os depoimentos devem seguir até esta quarta-feira, 1º de julho, incluindo o interrogatório dos réus. A previsão é de que mais dois dias sejam necessários para a apresentação das teses da acusação e das defesas, e que o júri se estenda até sexta-feira, 3 de julho.
Reportagem: Marcelo Ribeiro
Data: 30/06/2026 22h37
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