O médico oncologista Fernando Borges da Silva, de Santa Maria, alvo de mandado de busca e apreensão durante a Operação Placebo, deflagrada nesta segunda-feira (29), negou ter praticado qualquer conduta ilícita. A investigação da Polícia Civil apura suspeitas de fraude no fornecimento de medicamentos de alto custo destinados a pacientes com câncer em São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
Em manifestação encaminhada à imprensa, o advogado Daniel Tonetto, que representa o médico, afirmou que Fernando Borges da Silva está à disposição da Justiça e confia no esclarecimento dos fatos ao longo da investigação. “Na qualidade de defensor do médico investigado, informamos que ele nega a prática de qualquer conduta ilícita, está à disposição da Justiça e confia que os fatos serão devidamente esclarecidos no curso das investigações”, diz a nota da defesa.
Na operação, foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva. Segundo a Polícia Civil, o médico é investigado por supostamente captar pacientes e encaminhá-los a advogados também investigados, que ingressariam com ações judiciais para obtenção dos medicamentos. Outro alvo da investigação é o empresário Lisandro Henriques Hermes, de São Gabriel, apontado pela polícia como articulador do grupo.
A Operação Placebo tem como objetivo apurar a atuação de uma organização suspeita de fraudar o fornecimento de medicamentos de alto custo destinados a pacientes em tratamento contra o câncer. De acordo com a Polícia Civil, há indícios de fraude em orçamentos apresentados à Justiça, entrega parcial de medicamentos, uso de empresas de fachada e fornecimento de remédios com suspeita de falsificação.
As investigações tiveram início após uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificar indícios de falsificação em frascos do medicamento oncológico Enhertu, destinado a uma paciente com câncer de mama avançado. Conforme a polícia, as embalagens apresentavam características incompatíveis com o produto original, incluindo erros de grafia.
Segundo o delegado Daniel Severo, os fatos investigados teriam começado na metade de 2024. Até o momento, a Polícia Civil identificou 39 possíveis vítimas. Dessas, sete morreram durante o tratamento oncológico. “As evidências reunidas apontam para uma estrutura organizada que, em tese, teria transformado a judicialização da saúde em um mecanismo de obtenção de lucro ilícito. A suspeita de comercialização de medicamentos adulterados ou falsificados torna os fatos ainda mais graves, pois ultrapassa a questão patrimonial e alcança diretamente a saúde e a vida dos pacientes”, afirmou o delegado.
A Santa Casa de São Gabriel informou que ele teria sido afastado das funções, embora tenha afirmado que o serviço fosse terceirizado.
Reportagem: Marcelo Ribeiro, com informações do Diário de Santa Maria
Data: 30/06/2026 08h26
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