O primeiro dia do júri dos réus acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, terminou por volta das 21h30 desta segunda-feira (29), no Fórum de São Gabriel. Durante a sessão, foram ouvidos os pais da vítima, o delegado responsável pelo inquérito policial e uma testemunha. Os réus, o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen e os soldados Cléber Renato de Lima e Raul Veras Pedroso, acompanharam o julgamento presencialmente. Pela manhã, houve o sorteio dos jurados, concluído por volta das 13h, e a sessão foi interrompida temporariamente durante a partida da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026.
A primeira testemunha foi Rosane Machado Marques, mãe de Gabriel. Ela relatou que o filho havia se mudado para São Gabriel para prestar serviço militar e morava com um tio. Em seu depoimento, afirmou que o jovem pretendia seguir carreira no Exército antes de decidir que desejava trabalhar como campeiro. Também declarou que acreditava que o filho retornaria para casa e que sua vida mudou após a morte dele.
Na sequência, prestou depoimento Anderson da Silva Cavalheiro, pai da vítima. Ele afirmou que o filho era respeitoso e costumava pedir autorização aos pais para diversas situações. Também disse que a família tomou conhecimento da versão apresentada pelos policiais cinco dias após o desaparecimento e que as primeiras imagens da abordagem chegaram no sábado seguinte aos fatos. Durante o interrogatório da defesa, houve um momento de tensão após um questionamento sobre a jaqueta de Gabriel, levando a juíza Liz Grachten a intervir e solicitar que a testemunha respondesse apenas às perguntas formuladas.
O terceiro depoimento foi do delegado José Soares Bastos, responsável pela investigação. Ele afirmou que, após a localização do corpo, a Polícia Civil passou a trabalhar com a hipótese de homicídio e que os relatos de agressão apresentados por testemunhas eram compatíveis com os resultados da perícia. Bastos declarou que a decisão de levar Gabriel até a barragem teria sido tomada dentro da viatura e informou que, nos primeiros dias da investigação, os policiais apenas afirmavam ter dado uma carona ao jovem, sem detalhar onde ele teria sido deixado. Segundo o delegado, a versão mais completa surgiu após a análise das imagens e dos dados do GPS da viatura.
Ainda em seu depoimento, Bastos afirmou que os ferimentos encontrados no corpo eram compatíveis com as agressões descritas pelas testemunhas e declarou estar convicto da conclusão do inquérito, afirmando que, em sua avaliação, as agressões causaram a morte de Gabriel. Também disse que o estado em que o corpo foi encontrado indicava que o jovem não teria condições de caminhar sozinho no local. Durante o depoimento, houve novo momento de tensão quando um dos advogados de defesa questionou a investigação, sendo rebatido pelo delegado.
O último depoimento do dia foi o de um morador da região onde o corpo de Gabriel foi localizado, ouvido sobre movimentações registradas nas proximidades. Ao final do dia de júri, os pais de Gabriel concederam entrevista à imprensa. "Porque meu filho foi morto da maneira que foi morto? Voltamos à ditadura? Não importa quantos dias dure, mas queremos justiça pelo nosso filho", expressou a mãe, Rosane.
A acusação está a cargo do Promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, um dos mais conceituados no Estado. "Temos provas contundentes da morte do jovem e que serão todas apresentadas", afirmou em entrevista à imprensa antes de ingressar no Fórum. Os réus são representados por Jean Severo, Maurício Custódio e Vânia Barreto e os advogados acreditam na absolvição dos réus. "O verdadeiro assassino do Gabriel está solto", afirmou Maurício.
O julgamento será retomado nesta terça-feira (30), a partir das 9h, com a continuidade da instrução processual. Ao todo, 20 testemunhas deverão ser ouvidas durante o júri.
Reportagem: Marcelo Ribeiro
Data: 30/06/2026 08h08
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