Veredito dos quatro últimos réus da morte do policial Bento Júnior foi dado por volta das 3h da madrugada desta quinta, 24 de novembro, no Fórum de São Gabriel (fotos Marcelo Ribeiro/portal Caderno7)

Em um julgamento mais longo do que a primeira etapa realizada em julho, a Justiça de São Gabriel condenou os quatro últimos réus pela morte do policial militar Bento Júnior Teixeira Borges a penas que variavam de 8 a 20 anos de prisão. A sentença foi anunciada por volta das 3 horas da madrugada desta quinta, 24 de novembro, no Fórum local. 

Os réus Giovani Castro Morback e Roberto Carlos Carvalho Pereira pegaram as maiores penas, com 20 anos de reclusão - Giovani foi condenado por homicídio triplamente qualificado, dano qualificado e corrupção de menores, pegando 20 anos e 6 meses de prisão e 1 ano e 3 meses de detenção, além de 20 dias/multa; Roberto Carlos foi condenado a 20 anos e 4 meses de reclusão mais um ano de detenção e 20 dias/multa. 

Anderson, Patrick, Roberto Carlos e Giovani pegaram penas que variaram de 8 a 20 anos de reclusão em regime fechado

Anderson Varreira dos Santos foi condenado por homicídio qualificado (1x), porte ilegal de arma de fogo e corrupção de menores (2x), pegando 17 anos, 11 meses e 23 dias de reclusão; Patrick Cassal Madri foi condendo a 8 anos e 4 meses de reclusão, mais um ano de detenção pelos crimes de homicídio qualificado privilegiado e dano qualificado. Ambos também foram condenados a 20 dias/multa. Nenhum dos réus pode recorrer em liberdade. 

Esse julgamento foi um dos mais longos já vistos no Fórum local. O primeiro dia teve depoimentos das testemunhas e dos réus, e no segundo, a Promotoria e os advogados de defesa dos réus expuseram suas teses, encerradas próximo às 22 horas. O conselho de jurados, formado por cinco mulheres e dois homens, se reuniu para a votação e determinação das sentenças, o que foi concluído por volta das 2h, tendo logo após a redação da sentença. 

Anderson foi defendido pelo advogado Cesar Augusto Laureano Von Helden, Giovani pelos advogados Gustavo Teixeira Segala e Tiago Machado Battaglin, Roberto por Alesson Lopes Rangel e Patrick por Pedro Gabriel Tavares Souto De Lima Langendorf. A acusação foi desenvolvida pela Promotora de Justiça Lisiane Villagrande Veríssimo da Fonseca. O anúncio da sentença foi acompanhado por familiares do policial militar, imprensa e serventuários da Justiça, além de agentes da segurança presentes. 

RELEMBRE O CASO
No Natal de 2016, o policial militar Bento Junior Teixeira Borges, com 36 anos na época, estava no posto Batovi quando uma confusão teria ocorrido num grupo de jovens ligado aos "bondes" e ao intervir, teria discutido com alguns deles e sido agredido por João Gabriel Ferraz da Silva, 16 anos, que na época teria reagido à agressões do policial e o feriu a faca.

Para se defender, o policial desferiu disparos de arma de fogo que atingiram e mataram Gabriel, motivando a revolta dos demais. Eles o perseguiram dentro da área do posto e usaram de todos os instrumentos (como cadeiras, cones, objetos de madeira, entre outros) para espancar Bento, que acabou morrendo vítima de hemorragia e traumatismo craniano devido à violência das agressões. 

O caso chocou a comunidade assim como repercutiu no Estado e País. Muitos pediram justiça pelo jovem Gabriel, mas não há o que fazer por questão óbvia: o autor da morte foi morto pelos réus.

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 24/11/2022 10h32
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