Subchefe da Polícia Civil adiantou que Gabriel Cavalheiro, cujo corpo foi encontrado em 19 de agosto em açude no Lavapé, foi golpeado com cassetete quando já estava caído ao chão, vindo à morrer antes de ser colocado em viatura (foto Marcelo Ribeiro/Portal Caderno7) 

O subchefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Delegado Vladmir Urach, afirmou na manhã desta terça-feira (30), que os golpes de cassetete desferido por policiais militares em Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos e que causou sua morte, foi dado quando o jovem estava caído no chão. A afirmação foi feita em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.

O inquérito deve ser concluído e remetido ao Judiciário nesta quinta-feira, 1º de setembro, mas o delegado já adiantou este detalhe. "Houve inicialmente um tapa, no rosto do rapaz, ele teria caído em razão disso, e na sequência um dos PMs o agrediu com um cassetete. E isso, segundo o que se revelou no laudo, ontem, é bem condizente com essa versão da testemunha, porque a lesão que causou a morte foi através de um instrumento contundente na cervical", explicou Urach.

A versão dos policiais, que até antes da divulgação do laudo negavam ter agredido o jovem tanto em depoimentos à Polícia Civil quanto à Corregedoria da Brigada Militar, é "conflitante com os indícios colhidos até agora na investigação", afirmou o Subchefe da Polícia Civil e que há provas "contundentes" contra os investigados. A apreensão de um veículo de um dos policiais foi realizada porque há suspeitas deste ter sido usado após a viatura chegar no quartel da BM e que vestígios de sangue teriam sido encontrados.

"Acreditamos que dentro de pouco tempo este caso já deve ser remetido para o tribunal do júri, onde (os PMs) devem ser condenados pelas provas que foram juntadas até o momento, no procedimento policial. As provas são bem contundentes e acredito que haverá condenação, sim, uma  condenação até bem pesada pelas provas que nós temos. Não deve ficar impune o caso", comentou. 

Entre as provas já juntadas ao inquérito, que segue em andamento, o delegado destacou os relatos de testemunhas, a filmagem feita da abordagem, o laudo da necropsia que confirmou que a morte foi causada por um golpe, e não por afogamento, e os dados do GPS da viatura utilizada na abordagem. A polícia ainda aguarda o resultado da perícia feita neste veículo oficial - resquícios de sangue humano foram encontrados no carro, mas um exame de DNA deve confirmar se o sangue é do jovem morto ou de outra pessoa. Este laudo deve sair entre quinze e vinte dias. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 30/08/2022 18h12
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