Rômulo Farias agradeceu à juíza Juliana Capiotti pela mobilização para que julgamento e condenação do réu ocorresse, permitindo assim sua localização pela polícia internacional (foto arquivo pessoal)

A reportagem do portal Caderno7 conversou na tarde desta sexta-feira (3) com o irmão de Núbia Beatriz da Fontoura Farias, o professor e ex-vereador Rômulo Farias, sobre a prisão do responsável pela morte dela, Paulo Afonso Corrêa de Bem, 50 anos, extraditado para o Brasil nesta sexta. Em nome da família, Rômulo agradeceu à juíza de Direito Juliana Neves Capiotti, que realizou o julgamento do réu em 2011, antes que o crime prescrevesse e mantivesse sua procura junto às autoridades internacionais.

Rômulo acompanhou a situação na trágica noite de 29 de maio de 1993, quando a irmã, que tinha 23 anos na época, foi morta com um tiro na cabeça. Ambos eram sócios numa academia e estavam noivos; após o crime, Paulo Afonso fugiu alegando que "iria buscar socorro" e desapareceu. Ele foi julgado à revelia em 2011, onde foi condenado na Comarca de São Gabriel a 16 anos de prisão por homicídio qualificado. Ele ainda disse que acompanhou todo o andamento do caso, quando ele foi localizado e agora extraditado.

"A Núbia tinha um futuro brilhante e uma carreira sólida, destruída por ele, e esperamos por este momento durante 29 anos, mas que foi possível graças à doutora Juliana Capiotti, que não mediu esforços para que o réu fosse julgado e condenado antes de prescrição da pena e agora, ele vai pagar pelo que ele fez", disse Rômulo, afirmando ainda que sua mãe faleceu sem ver a Justiça ser feita. 

Rômulo frisa o agradecimento à magistrada, por ter dado andamento à questão e com as mudanças na lei, possibilitando o julgamento de Paulo Afonso à revelia, o que também possibilitou a sua inscrição no rol de procurados da Interpol (Polícia Internacional). 

RÉU VIVIA NORMALMENTE NA FRANÇA
A reportagem do portal GZH informou vários detalhes considerados intrigantes da estada de Paulo Afonso no exterior. Não se sabe como ele chegou à França após fugir do Brasil, mas usava o próprio nome. Em 1995, se alistou na Legião Estrangeira Francesa, unidade militar formada por voluntários para combater guerras em todos os continentes e por sua atuação, conseguiu cidadania francesa.

Após sair da Legião, ele trabalhou por 15 anos com segurança privada na França, inclusive montando sua própria empresa, em 2003. Como seu nome não constava em listas de procurados (o que ocorreu após a condenação em 2011 e em 2017, ele foi inscrito na 'lista vermelha' da Interpol), ele inclusive chegou a colaborar com a Gendarmerie (uma das polícias francesas), após os atentados terroristas no Bataclan, em Paris. 

Com a ficha criminal na lista de procurados, ele foi preso em 2018, quando trabalhava na polícia de Aix-en-Provence e ficou 28 meses recluso, depois permanecendo em liberdade enquanto que a extradição (solicitada pelo Brasil) não era julgada, o que ocorreu em 2021. Ele chegou a recorrer, mas a apelação foi rejeitada e a extradição foi cumprida. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 03/06/2022 17h29 
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