09 fevereiro 2021

Luiza Trajano lança movimento a favor da vacinação contra covid-19 no Brasil

Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, estará lançando movimento visando a agilização da vacinação contra a covid-19 (foto divulgação)

Do Jornal Estadão

A empresária Luiza Trajano, do Magazine Luiza, vai lançar nesta semana, em entrevista coletiva, um amplo movimento empresarial visando a agilização da vacinação da população brasileira contra a covid-19 como ferramenta de reativação da economia. Ao contrário de mobilizações anteriores de empresários, que visavam à imunização de funcionários, este grupo será focado na vacinação via rede pública, respeitando os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde. A meta é ajudar a reduzir os "gargalos" para agilizar compra, distribuição e aprovação de imunizantes no País, mas sem fazer aquisição direta de vacinas.

Neste momento, o grupo envolvido na criação está terminando de angariar nomes para apoiar a campanha, que terá forte movimento de divulgação, mas a ideia é que seja uma frente ampla, que incluirá empresários e entidades de classe. A ideia é pregar a vacinação de uma parte significativa da população – entre 60% e 70% – até setembro. Segundo apurou a reportagem, líderes de empresas como Suzano, Gol, Whirlpool e Volkswagen já teriam aderido à mobilização de Luiza Trajano.

O Brasil, até o fim de semana, já havia vacinado 3,5 milhões de pessoas com a primeira dose dos imunizantes Coronavac e AstraZeneca. O ritmo, no entanto, é lento. Neste ritmo atual de vacinação, desta forma que a vacinação contra a covid-19 é conduzida no Brasil, o País levaria mais de quatro anos para ter toda a sua população imunizada.

O cálculo é do microbiologista da Universidade de São Paulo (USP) Luiz Gustavo de Almeida. Ele lembrou que, durante a campanha de vacinação contra a gripe em março do ano passado, já em plena pandemia do novo coronavírus, os brasileiros vacinavam até 1 milhão de pessoas por dia. Atualmente, a média de imunizações diárias é de um quinto disso, 200 mil pessoas.

Há duas semanas, um movimento liderado pelo grupo Coalização Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), anunciou que estava negociando vacinas diretamente com fornecedores, com o objetivo de usar parte dos imunizantes para vacinar seus funcionários e a outra parte para doar para o Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, duas das fontes de doses citadas pelo grupo, a AstraZeneca e o fundo BlackRock, negaram que as negociações estariam em curso.

Reportagem: do Jornal Estadão
Data: 09/02/2021 15h25
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