26 fevereiro 2020

Novos casos de mortandade de abelhas deixam produtores em alerta no RS

Casos de mortandade de abelhas estão sendo registrados no Rio Grande do Sul; suspeita é de que estejam sendo causados por uso incorreto de inseticidas em lavouras, como o fipronil (foto divulgação)
Novos casos de mortandade de abelhas no Rio Grande do Sul estão sendo recebidos pela Cooperativa dos Apicultores do Pampa Gaúcho (Cooapampa), que é presidida por Aldo Machado dos Santos. A preocupação vem da suspeita de que isso esteja sendo causado pelo uso incorreto de inseticidas em lavouras dos grãos, como é o caso do fipronil.

Aldo foi acionado por dois produtores com relatos de perdas em um município da Fronteira Oeste. São contabilizadas cerca de 300 caixas nesses locais. Em cada uma pode haver entre 50 mil e 80 mil abelhas. Como a descoberta se deu em meio ao período do Carnaval, a inspetoria veterinária da região só deve ser acionada hoje. Um dos apicultores confirma o dano, mas prefere não ser identificado até ter o registro.

A suspeita é de que as mortes podem ter sido causadas pelo inseticida fipronil, que é usado nas lavouras de grãos para matar insetos como formigas. Aplicado nas folhas das plantas, ele afeta as abelhas que venham a ter contato com o produto. "A empresa que desenvolveu o inseticida não recomenda a aplicação foliar. Tem de haver fiscalização e fazer valer isso. O apicultor está pagando essa conta", afirmou Aldo em entrevista à Zero Hora.

Ele recomenda que, em casos de mortandade, apicultores procurem a inspetoria veterinária mais próxima, além de acionar o batalhão ambiental da Brigada Militar e fazer registro na Polícia Civil. Outro ponto de preocupação, segundo o dirigente, é que as análises de casos suspeitos não estariam mais sendo realizadas.

No ano passado, coletas feitas pela Secretaria da Agricultura apontaram resíduos de agrotóxicos em 38 de 43 amostras de 32 municípios. Nos casos positivos, 36% tinham relação com fipronil.


O promotor Alexandre Saltz é o responsável pelo inquérito civil no MP. Segundo ele, ficou acertado que o Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas da Universidade Federal de Santa Maria comece a analisar as abelhas, para que se tenha laudo científico, com a coleta ficando a cargo dos técnicos da Secretaria da Agricultura.

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 26/02/2020 19h13 
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