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Litera7: Não exista, viva

Alex Barcellos Pinto
Colunista do site

Quando pensamos em uma rede de computadores, pensamos em milhares de fios azuis e amarelos ou coloridos de todas as formas ligados a grandes máquinas com leds piscantes e todos os tipos de conexões e encaixes. Uma conexão errada e tudo se desconecta e prejudica o funcionamento geral. Assim, esta essa rede de computadores é um conjunto complexo de atividades e direcionamentos tal como a nossa existência se apresenta. Todos nós ao existirmos, estamos diretamente conectados a um grande terminal sem o qual não temos função ou utilidade.



A existência tem suas peculiaridades. Diferentes formas de existir se fazem presentes em nosso dia a dia. Porém, quando analisamos a semântica da palavra, vemos o quão pobre ela se torna quando nos deparamos com o fato de que tudo existe. E como nessa grande rede de computadores, todos nós podemos ser substituídos por outros cabos ou conexões que cumpram o mesmo papel que estamos cumprindo naquele momento. A existência, então, se torna um bem comum e inerente a todos que, de alguma forma, estão nessa realidade e fazem parte dessa rede.

Sendo que algumas trocas ou ajustes são necessários, talvez você já tenha precisado substituir um cabo ou um periférico de alguma máquina sua, ou mesmo nessa rede citada anteriormente, e na falta do mesmo cabo usou um similar que não era da mesma largura, forma ou função a cumprir. Normalmente, isso da certo por um período de tempo e vira o famoso “quebra-galho”. Quando isso acontece temos uma escolha, trocar assim que possível o instrumento para um que realmente sirva para aquela função ou deixar daquele jeito mesmo até que estrague toda a aparelhagem de vez, sendo o “quebra-galho” o primeiro a estragar e ser substituído pelo bem do meio.

Pensando pelo lado criacionista, o presente de existir é dado a todos, e estragar essa aparelhagem toda exercendo funções diferentes não deveria ser uma opção. Cumprir seu papel adequadamente faz parte de um grande sistema maior e mais complexo do que apenas um cabo sozinho sem função. Logo, para que rede siga, é preciso que todos cumpram o seu dever sem desvios de tarefas. Todos os cabos em uma rede possuem uma tarefa e se um deles falhar, o sistema quebra e a maquina estraga e longos períodos são necessários para que tudo seja consertado novamente.

A única vantagem de uma rede de computadores sobre a existência é que todos os componentes vêm com manual de instruções e estão prontos para serem aplicados, enquanto nós precisamos descobrir qual função devemos exercer e como devemos nos comportar mediante ela. Sem que essas predefinições nos venham em um caderninho para sabermos como agir, começamos uma busca incessante pela nossa função. Precisamos descobrir qual o nosso papel e como fazer o todo funcionar. Analisar nossas habilidades, desejos, vontades, nossa motivação e nossos sentimentos e principalmente a nossa essência interior pode colaborar para isso. Descobrir nossa função e fazer a rede funcionar não é tarefa fácil, pois, para isso, existir já não basta, é necessário viver.
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