01 agosto 2018

Opinião do leitor: O Frei, o Jejum, a Fome e o Apetite

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul

Em mais um dos episódios que está transformando a pré-campanha eleitoral de 2018 em um sanatório, o PT decidiu anunciar um “jejum” pela libertação do ex-presidente Lula, preso em Curitiba após condenação por corrupção passiva pelo colegiado do TRF4. O PT usa a expressão religiosa “jejum” em vez de “greve de fome”, instrumento de pressão política que o próprio Lula teria usado quando foi preso, em 1980, após uma greve em São Bernardo do Campo. Digo “teria”, porque anos depois o próprio Luis Inácio confessou que burlou a greve com barras de chocolate e balinhas.  Mas seis militantes do MST foram escolhidos para este sacrifício. Combina com a trajetória do PT: de partido a organização criminosa, e de organização criminosa a seita religiosa.



E para um “jejum” em favor de uma falsa religião, nada melhor que um falso frei, como é o caso de Sérgio Göergen. Pra quem não se lembra, trata-se do ex-deputado estadual petista, que era um dos principais agitadores do MST nos confrontos ocorridos em São Gabriel em 2003, 2007 e 2008. Que se identifica como frade franciscano, mas nem sequer concluiu o curso de filosofia e teologia da Ordem.  O homem que insuflou uma marcha do movimento ao município quando o STF anulou a desapropriação da antiga Fazenda Southall, e estimulou o conflito com os produtores rurais. Autor de um livreto tendencioso, chamado “Marcha ao Coração do Latifúndio”, que destila ódio aos produtores rurais e a São Gabriel, descrita como “um ponto perdido no mapa do Rio Grande”, e onde narra o sonho de erguer, nos 13.222 km daquela área, o “assentamento modelo para o Brasil”.

Dez anos após a desapropriação da área pelo Incra, o sonho do frei se cumpriu: o conjunto de assentamentos com 680 famílias é um “modelo” de fracasso, onde nem um terço do investimento federal prometido se consumou. Ali há um “jejum” de recursos. O retorno médio da área para a economia local retrocedeu mais de 300%, e o gigantesco passivo social, com aumento dos gastos em estradas, educação, saúde, e até transporte de água potável, ficou nas mãos do Município. E embora alguns insistam em dizer que não há correlação, houve também o aumento da criminalidade. De janeiro de 2016 a junho de 2017, a Delegacia de Polícia de São Gabriel registrou 54 crimes que foram cometidos em assentamentos ou por assentados. 

Não é coincidência que o frei que hoje passa fome por Lula, tenha deixado um legado de fome e miséria em São Gabriel.  Afinal, no ritual macabro do socialismo, a fome do povo é um mero detalhe para quem precisa atender ao verdadeiro apetite, que é o poder. 

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