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João Pedro Lemos
Colunista do blog

A aceleração do vazio
A aceleração que vivemos não é só a causadora do stress, ela gera sim uma concorrência que leva tudo a loucura, e no centro desse “tudo” a disputa é a informação. Como era previsto pelos especialistas, a informação passaria a valer ouro nessa século, como de fato está acontecendo. E não apenas informações relevantes, até mesmo questões banais, desde que se tenha primeiro, com certeza passa a ter um valor de mercado, ou social de acordo com determinado grupo.



Imagem de Steve Cutts sintetiza a assustadora realidade do vício em smartphones
Porque isso começou? Simples, a rapidez com que as informações correm pelas redes sociais acelerou a busca e consequentemente os resultados no quesito “ter informação”. Na verdade mudaram os meios, mas o essencial permanece, a informação em si. Hoje a briga que era de revistas e jornais, passa a ser nos sites, Facebook, Twitter, Instagram e outros. Até ai tudo bem, informação é sempre importante. A questão é que essa corrida e o interesse acabaram gerando uma aceleração desnecessária, especialmente com a cultura do consumismo. Já repararam o quanto corremos por coisas que não mudam em nada nossa vida? Não acrescentam nada de essencial a não ser satisfazer o desejo de adquirir? Essa é a maior doença do século, correr, correr atrás do que nem tão essencial é, por vezes fazendo as pessoas perderem tantas coisas boas, por não estar nos programas de consumo.

A situação funciona assim: a empresa tal, lança o produto tal que é mais rápido que o anterior, ai todo mundo corre para comprar o tal produto para baixar e ter acesso a coisas cuja durabilidade é completamente tênue, porque o novo está sempre vindo, vindo, vindo... Só que isso em nada acrescenta na sua vida a não ser satisfazer um desejo supérfluo, criado pelo próprio sistema, onde a lei é consumir. O que outra era seria o saber, hoje é o “ter” tomou conta e é assim: “Tenho logo sou”, roubando a essência do pensamento do filósofo Descartes para ilustrar.

A sistemática da aceleração e consumismo baixa a autoestima, e depois cria a solução, cujos meios de solução é “ter”, por isso a sociedade atualmente está depressiva, porque as pessoas fazem de tudo para ter, roubam, matam. A questão da corrupção, por exemplo, onde se coloca tanto dinheiro? Pois é, se compra o mundo e não se está satisfeito, porque é da essência de todos nós buscarmos respostas, que as compras não nos dão. Isso é tão real que muita gente chega admirar corruptos como modelo.

Mais do que ter consciência da desnecessidade dessa correria é proclamarmos a todos que nenhum aparelho, ou a maior novidade por mais rápido que seja, e que nos dê a informações da hora vai mudar nossa vida de fato. “Somos quem podemos ser” sempre. Humanos, limitados e sempre em busca de respostas...

Vamos amar nossos amigos, família e viver a vida na sua essência simples, porque ai sim a felicidade existe.
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