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16 abril 2014

Manuscritos

Laíz Lacerda
Colunista do blog

Tudo é motivo para se aprender algo
Em uma das minhas idas e vindas de São Gabriel a Santa Maria, viagem que faço em média uma ou duas vezes por mês, pois, São Gabriel é minha terra natal e aonde mora minha família, na grande maioria das vezes que chegava a Santa Maria tomava um táxi para ir para casa, pois sempre vinha cheia de malas. Cada vez que chegava à rodoviária ia até a área dos taxistas e sempre vinha até em casa com um motorista diferente.


Em uma das vezes que cheguei, percebi que quando entrei no táxi conhecia o taxista, não lembrava a ocasião, mas ele já havia feito uma corrida para mim. Quando entrei no carro ele perguntou para onde eu ia, assim que respondi, ele disse que já havia me levado em casa e que lembrava vagamente de mim, pois são tantas pessoas diferentes que entram em seu táxi que era difícil lembrar de cada uma.

Com o trânsito de Santa Maria sempre movimentado, ainda mais em finais de tarde, a corrida tornou-se mais demorada e o taxista começou a conversar comigo, me contando que durante o final de semana havia chovido muito na cidade, mas que o calor não cessou em momento algum. Sem perguntas e sem invadir minha privacidade, ele foi me contando da sua vida. Disse que havia morado por muito tempo em São Gabriel, que na época trabalhava em uma lavoura, onde plantava arroz, soja, milho, mas que já havia voltado a morar em Santa Maria, há 20 anos.

Contou-me que não foi uma boa ideia ter voltado, pois assim que retornou ocorreu o término de seu casamento. Durante a conversa comentou que tinha dois filhos e um deles morava no Mato Grosso e, ele havia voltado de lá havia alguns dias, tinha ido fazer uma visita ao filho e a nora. Ao chegar a minha casa perguntei o valor e ele me disse, mas antes de eu sair do carro me perguntou se eu tinha uns minutos para que ele pudesse me mostrar às fotos de seus filhos. Eu disse que tinha uns minutos e poderia ver, durante isso me contou de que seu sonho era montar um restaurante, um espaço diferenciado para que as pessoal pudessem ir e se sentir a vontade, disse que morava sozinho e que o táxi era apenas um passa tempo e a ideia da loja teria surgido junto com sua namorada. Ao descer ele me agradeceu por tê-lo escutado e disse são poucas as pessoas que param para ouvir o que o outro tem a contar.

Fiquei pensando depois disso, que às vezes passamos pelas pessoas e não paramos para observá-las, que um minuto de atenção pode significar muito para algumas. Que na correria do dia-a-dia queremos tanto falar algo, mas ninguém para nos ouvir. Então me dei conta de que pararmos para ouvir o que o outro tem a dizer ou contar não faz mal a ninguém, que um minuto de atenção nunca é desperdício de tempo, muito pelo contrário é tempo ganho, porque você sempre tira uma grande lição do que o outro tem a lhe apresentar.

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