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15 outubro 2026

EXCLUSIVO | Paulo Paim fala ao Caderno7 após Senado aprovar fim da escala 6x1 e celebra luta de quatro décadas

Senador Paulo Paim (PT-RS) falou com exclusividade ao Caderno7 sobre a aprovação do fim da escala 6x1 e fez um balanço de sua trajetória no Congresso Nacional (foto Sergio Lima/Senado Federal)

Após décadas defendendo a redução da jornada de trabalho no Congresso Nacional, o senador Paulo Paim (PT-RS) viu uma das principais bandeiras de sua trajetória parlamentar avançar no Senado. Em entrevista exclusiva ao Caderno7, concedida por telefone na tarde desta quinta-feira (15), o parlamentar falou sobre a aprovação do fim da escala 6x1 e da jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial, ocorrida na noite de quarta-feira (14), além de fazer um balanço de seus 40 anos de atuação no Congresso e dos planos para depois do término de seu mandato, no final de 2027.

Paim acompanha a discussão sobre a redução da jornada desde o início de sua vida política. Constituinte em 1988, participou do período em que a jornada máxima semanal caiu de 48 para 44 horas. Na época, segundo recordou, o objetivo já era chegar às 40 horas.

“Desde que eu era estudante, eu já defendia essa tese. Depois, como sindicalista e, posteriormente, na Constituinte. Nós queríamos 40 horas, mas não deu. Fomos avançando e agora conseguimos reduzir para 40 horas semanais sem redução de salário”, afirmou ao Caderno7.

Ao longo dos mandatos como deputado federal e senador, Paim apresentou diferentes propostas relacionadas à redução da jornada. Entre elas, a PEC 148, apresentada em 2015. A pauta ganhou novo impulso nos últimos anos com a mobilização pelo fim da escala 6x1, que teve entre suas principais lideranças a deputada federal Erika Hilton (PSOL) e Rick Azevedo, do mesmo partido e ligado ao movimento Vida Além do Trabalho (VAT), eleito deputado federal no primeiro turno.

Paim reconheceu, na entrevista, que a expressão “fim da escala 6x1” contribuiu para ampliar o alcance da discussão, principalmente entre os trabalhadores mais jovens e nas redes sociais.

“Eu sempre falei em 40 horas. Ela criou essa marca do fim da 6x1. Muita gente não entendia o que era, mas foi entendendo e isso foi pegando, inclusive entre a juventude”, disse.

O senador afirmou que Hilton e Azevedo estiveram diversas vezes no Senado acompanhando a tramitação e destacou que considera o resultado uma conquista coletiva.

“Não me importa o nome do autor ou do relator. Importa que a causa venceu. É uma causa que vai melhorar a vida de milhões de brasileiros”, declarou.

Redução gradual da jornada
Segundo Paim, a implementação das 40 horas semanais ocorrerá de forma gradual, permitindo a adaptação das empresas. Inicialmente, a jornada será reduzida em duas horas e, após o período de transição previsto, haverá uma nova redução de duas horas até atingir as 40 horas semanais.

Para o senador, a mudança poderá refletir não apenas no tempo de trabalho, mas também na saúde, no convívio familiar e na qualificação profissional.

“O trabalhador vai ter mais saúde, menos estresse, mais tempo para estudar, mais tempo para se preparar e mais tempo para cuidar da família”, afirmou.

Paim também estima que a redução da jornada poderá contribuir para a abertura de aproximadamente 4 milhões de postos de trabalho. O número apresentado pelo parlamentar representa sua avaliação sobre os possíveis impactos da mudança.

Ele considera ainda que os efeitos poderão chegar ao mercado informal, uma vez que regras estabelecidas para trabalhadores formais acabam servindo de referência para outras relações de trabalho.

Mobilização pesou na votação, diz senador
Questionado pelo Caderno7 sobre a votação da proposta às vésperas do segundo turno das eleições, Paim avaliou que a dimensão alcançada pelo movimento na sociedade contribuiu para que parlamentares de diferentes posições políticas apoiassem a mudança.

“Muitos falam que foi uma jogada política. Não foi. Esse movimento cresceu tanto na sociedade que ficou inviável para qualquer homem público que depende da opinião pública não acompanhar”, afirmou.

Para o senador, o calendário eleitoral não invalida a votação de uma proposta discutida há décadas.

“Temos eleição a cada dois anos no Brasil. É uma discussão feita há décadas e chegou o momento de ir a voto. O momento foi esse e deu certo”, disse.

“A palavra é gratidão”
Além da votação sobre a jornada de trabalho, a entrevista exclusiva ao Caderno7 abordou o encerramento da trajetória parlamentar de Paulo Paim. O atual mandato no Senado termina no início de 2027 e o parlamentar já anunciou que não pretende disputar uma nova eleição.

Ao fazer um balanço de quatro décadas no Congresso, Paim definiu o sentimento em uma palavra.

“A palavra é gratidão. Gratidão porque foram 40 anos de mandato. Fiz um mandato aberto e transparente”, declarou.

O senador citou sua participação em propostas relacionadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista, à doença de Alzheimer, à política de valorização do salário mínimo, às ações afirmativas e às políticas de inclusão.

Também destacou o envio de emendas parlamentares para municípios e hospitais do Rio Grande do Sul, afirmando que os recursos foram destinados independentemente da orientação partidária das administrações.

“Eu não considerei a emenda como um patrimônio ideológico ou partidário. As emendas eram para o povo”, afirmou.

Paim lembrou ainda sua atuação durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e a participação nas medidas adotadas pelo Congresso para suspender temporariamente pagamentos da dívida estadual e direcionar recursos à reconstrução.

Vida pública continuará após o Senado
Ao Caderno7, o senador afirmou que pretende continuar atuando socialmente depois de deixar o Congresso. Paim planeja utilizar um escritório em Canoas para receber pessoas e desenvolver trabalho voluntário voltado principalmente aos setores mais vulneráveis.

“Tenho 20 anos de metalúrgico e 40 anos aqui dentro. São 60 anos de contribuição. Decidi abrir as portas e a janela para os mais jovens também terem oportunidade de chegar à Câmara ou ao Senado”, afirmou.

Mesmo fora do Parlamento, Paim disse que pretende manter contato com Brasília, acompanhar a conjuntura nacional e continuar auxiliando pessoas que o procurem.

“Continuarei, como falei, ajudando os mais vulneráveis”, concluiu o senador Paulo Paim, em entrevista exclusiva ao Caderno7.

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 15/10/2026 18h54 
Contato da Redação: (55) 996045197 / 991914564 
E-mail: blogcadernosete@gmail.com 
jornalismo@caderno7.com
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