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| Julgamento de réus pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro em 2022 inicia nesta segunda-feira, 29 de junho, a partir das 8h30, no Fórum local e pode durar até quatro dias (foto arquivo C7) |
O Tribunal do Júri de São Gabriel inicia nesta segunda-feira, 29 de junho, o julgamento de Raul Veras Pedroso, Cléber Renato Ramos de Lima e Arleu Júnior Cardoso Jacobsen, denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, ocorrida em 2022. A sessão está marcada para as 8h30, no Foro da Comarca de São Gabriel, e deve durar entre três e quatro dias.
Os três réus respondem por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação será conduzida pelos promotores de Justiça Maria Fernanda Rabelo, Karine Teixeira e Eugênio Paes Amorim.
De acordo com a denúncia do MPRS, Gabriel foi abordado no dia 12 de agosto de 2022, após um chamado por perturbação em via pública. Na época, os acusados eram policiais militares em serviço. A denúncia aponta que o jovem teria sido agredido, inclusive com golpes na região cervical, colocado em uma viatura e, depois disso, não foi mais visto com vida.
O corpo de Gabriel foi localizado no dia 19 de agosto de 2022, em um açude na localidade de Lava Pé, no interior de São Gabriel. O caso teve repercussão estadual e mobilizou familiares, entidades e a comunidade local desde o desaparecimento do jovem.
Durante o julgamento, estão previstas as oitivas de cinco testemunhas de acusação e cinco testemunhas de cada réu, totalizando 20 depoimentos. Depois, os três acusados deverão ser interrogados. Ao final, caberá ao Conselho de Sentença decidir sobre a responsabilidade criminal dos réus.
O Ministério Público sustenta que as provas reunidas no processo comprovam a materialidade e a autoria do homicídio. Em manifestação sobre o julgamento, a promotora Maria Fernanda Rabelo afirmou que o caso tem significado para a sociedade e que a acusação será apresentada com base nas provas produzidas no processo.
A promotora Karine Teixeira destacou que o julgamento ocorre após anos de investigação e instrução processual. Já o promotor Eugênio Paes Amorim afirmou que a atuação do MPRS será voltada à defesa da vida e de valores sociais.
A advogada da família de Gabriel, Rejane Igisk Lopes, também se manifestou antes do julgamento. Segundo ela, o Tribunal do Júri terá, pela primeira vez, a atribuição de analisar a responsabilidade criminal dos acusados pelo homicídio. A defesa da família sustenta que a decisão anterior na esfera militar não tratou do crime de homicídio, por limitação de competência, e não deve condicionar a análise dos jurados.
A defesa de Raul Veras Pedroso e Cléber Renato Ramos de Lima divulgou nota contestando o uso do termo “ex-policiais militares” pela imprensa. Segundo os advogados Isaac Henrique da Silva Mello e Jean de Menezes Severo, a exclusão dos quadros da Brigada Militar dependeria da publicação de ato no Diário Oficial do Estado, o que, conforme a defesa, ainda não teria ocorrido.
Os advogados também afirmam que o Conselho de Disciplina da Brigada Militar teria se manifestado contra a exclusão e que o procedimento administrativo ainda estaria em análise. A defesa cita ainda a absolvição dos acusados na esfera da Justiça Militar e afirma confiar na inocência dos clientes perante o Tribunal do Júri.
Sobre a situação funcional dos acusados, o MPRS informou que, em outubro de 2025, o comandante-geral da Brigada Militar reconheceu os denunciados como incapazes de permanecer nas fileiras da corporação, com encaminhamento da decisão ao governador do Estado. A defesa contesta a conclusão definitiva do processo administrativo e afirma que ainda há recurso em tramitação. Defenderá o acusado Arleu o advogado Maurício Custódio.
Os três réus chegam ao julgamento sob a acusação de homicídio qualificado. A decisão final caberá aos jurados, sendo assegurados o direito de defesa e a presunção de inocência até o encerramento do processo.
Reportagem: Marcelo Ribeiro
Data: 28/06/2026 20h21
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