O biólogo, mestre e doutorando em Ciências Biológicas, Jorge Renato Pinheiro Velloso, natural de São Gabriel, está na Antártida para uma expedição científica de dois meses. Ele integra a 43ª Operação Antártica Brasileira (Operantar) ao lado dos micologistas Fernando Augusto Bertazzo-Silva e Flavia Helena Aires Sousa, vinculados ao Laboratório de Taxonomia de Fungos da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). A expedição reúne pesquisadores de diversas áreas.
A missão tem como objetivo estudar a ecologia, diversidade e adaptação de fungos e mixomicetos na Antártida, com foco nos efeitos das mudanças climáticas sobre esses organismos. Em 2023, Jorge Renato Pinheiro Velloso realizou o primeiro levantamento de mixomicetos na região, identificando seis espécies não reportadas anteriormente no continente. Na atual expedição, ele dá continuidade ao trabalho com análises morfológicas e moleculares, além de coletas de solo para estudos metagenômicos, em parceria com universidades brasileiras.
"Estou na Antártida juntamente com dois colegas, Fernando Augusto Bertazzo-Silva, de Santiago/RS, e Flavia Helena Aires Sousa. Em Elephant Point, na Ilha Livingston, onde ficaremos acampados até março de 2025, irei continuar com os trabalhos iniciados na 42ª Operação Antártica, coletando dados sobre a composição da comunidade de mixomicetos do local. O objetivo é entender como esses organismos se comportam em um ambiente extremo e de que forma as mudanças climáticas estão afetando suas relações com o meio", destacou Velloso.
A pesquisa é realizada em parceria com os projetos Terrantar e Permeclima, da Universidade Federal de Viçosa, e conta com colaboração da Universidade Federal de Minas Gerais e da Universidade Federal de Pernambuco. Os dados coletados serão analisados em instituições brasileiras, contribuindo para o entendimento dos impactos das mudanças climáticas na biodiversidade da Antártida.
A expedição também reforça a importância da participação de instituições brasileiras na pesquisa polar. "A Universidade Federal do Pampa tem um papel crucial, desenvolvendo pesquisas de qualidade na Antártida. A Antártida pode parecer distante do Brasil, mas seus impactos ambientais chegam rápido ao nosso país. Para se ter uma ideia, São Gabriel está mais perto da Antártida do que de Recife, e qualquer alteração climática no continente gelado pode ser sentida diretamente na nossa região", explicou o pesquisador gabrielense.
Os pesquisadores chegaram à Antártida entre os dias 1 e 2 de fevereiro e permanecerão na região até março de 2025. O estudo faz parte de uma série de pesquisas realizadas há cerca de 30 anos por cientistas brasileiros na região.
Reportagem: Marcelo Ribeiro
Data: 04/02/2025 12h38
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