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Drª Sandra Regina Marçolla Weber - na VidaMed

12 setembro 2023

DESCOBERTA HISTÓRICA | Predador mais antigo que dinossauros é encontrado em São Gabriel

Mateus Santos, autor do estudo e professor Felipe Pinheiro, orientador, apresentaram descoberta paleontológica histórica em São Gabriel nesta terça-feira, 12 de setembro (fotos Marcelo Ribeiro/portal Caderno7)

Em uma descoberta impressionante, o Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Campus São Gabriel, em parceria com cientistas da UFRGS, UFPI e Universidade de Harvard, apresentou neste domingo (10) o crânio completo e partes do esqueleto do mais antigo grande predador terrestre da América do Sul, datando de cerca de 265 milhões de anos atrás. Este notável achado, denominado Pampaphoneus biccai, lançou luz sobre os primeiros grandes carnívoros da América do Sul, que existiram muito antes da era dos dinossauros. A descoberta foi anunciada oficialmente nesta terça-feira (12), no Laboratório do Campus local.

Mateus apresentou etapas da descoberta, realizada desde 2019 na Fazenda Boqueirão, da família Bicca, no interior de São Gabriel

Público seleto entre professores, acadêmicos, convidados e imprensa acompanhou o anúncio da descoberta no Campus local da Unipampa

A descoberta ocorreu mais de uma década após o primeiro espécime de Pampaphoneus biccai ser encontrado na zona rural da cidade de São Gabriel, Rio Grande do Sul, e é o resultado de um mês de árduo trabalho de coleta em campo, seguido de três anos de limpeza e estudo do fóssil. O novo exemplar é ainda maior que o primeiro, oferecendo informações valiosas sobre esse predador pré-histórico.

Pampaphoneus biccai viveu em um período crítico da história da Terra, pouco antes da maior extinção já testemunhada, há 250 milhões de anos, que dizimou cerca de 90% da vida no planeta. Eles pertenciam ao grupo dos dinocefálios, animais de médio a grande porte com adaptações tanto carnívoras quanto herbívoras, reconhecidos por seus ossos cranianos espessos.

"O Pampaphoneus desempenhava o mesmo papel ecológico dos atuais grandes felinos", afirma o Dr. Felipe Pinheiro, paleontólogo da Unipampa. "Tratava-se do maior predador terrestre que conhecemos para o Permiano na América do Sul, com dentes caninos afiados adaptados à caça e mordida forte, capaz de mastigar ossos, semelhante às hienas contemporâneas."

Embora o crânio do novo espécime, medindo quase 40 cm, seja o maior já encontrado intacto, as pesquisas indicam que um terceiro indivíduo, descrito em 2000, poderia ser até duas vezes maior que o novo achado. No entanto, esse último é conhecido apenas por um fragmento de sua mandíbula, que apresenta características suficientes para identificá-lo como Pampaphoneus.

Além dos fósseis, modelos impressos em 3D representando o tamanho real dos predadores foram apresentados; fóssil é o quarto descoberto no município

Equipe responsável pelos estudos tirou dúvidas do público

"Encontrar um novo crânio de Pampaphoneus após tanto tempo foi crucial para aprofundar nosso conhecimento sobre o animal", diz Mateus A. Costa Santos, da Unipampa, autor principal do estudo. "Além de ser um pouco maior que o primeiro espécime, também percebemos que o fragmento de mandíbula descrito em 2000 pode, na verdade, ter sido o primeiro registro de Pampaphoneus. Considerando o tamanho máximo da espécie, hoje temos a hipótese de que os materiais mais completos representam indivíduos ainda jovens."

Os pesquisadores estimam que os maiores exemplares de Pampaphoneus poderiam atingir quase 3 metros de comprimento e pesar cerca de 400 kg, sendo predadores habilidosos capazes de caçar animais de pequeno a médio porte, como o dicinodonte Rastodon e o anfíbio gigante Konzhukovia, que também foram identificados na mesma localidade.

Essas descobertas não apenas enriquecem nosso conhecimento sobre a fauna pré-histórica da América do Sul, mas também destacam o potencial paleontológico da região do Pampa gaúcho. "Os fósseis desempenham um papel importante na identidade local, no turismo e na geoconservação", ressalta Pinheiro. O artigo descrevendo o novo fóssil foi publicado na renomada revista científica internacional Zoological Journal of the Linnean Society. 

É o quarto fóssil descoberto em São Gabriel - o primeiro foi o Tiarajudens, em 2010 e a ideia é realizar exposições públicas e gratuitas para a comunidade em breve. Essa descoberta é mais uma evidência de que o Rio Grande do Sul e principalmente, São Gabriel, é um tesouro paleontológico que continua a revelar segredos do passado da Terra.

Confira a apresentação abaixo:


Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 12/09/2023 19h33 
Contato da Redação: (55) 996045197 / 991914564 
E-mail: blogcadernosete@gmail.com 
jornalismo@caderno7.com
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