Justiça Militar realizou primeira audiência de instrução do Caso Gabriel, em Porto Alegre (foto Petra Karenina/TJMRS)

A Justiça Militar realizou, nesta terça-feira (1º) a primeira audiência de instrução do Caso Gabriel Marques Cavalheiro, jovem de 18 anos morto após abordagem da Brigada Militar em São Gabriel, ocorrida na madrugada de 13 de agosto. O pai da vítima, Anderson da Silva Cavalheiro, foi a primeira pessoa ouvida no processo, em sessão na sede do Tribunal de Justiça Militar, em Porto Alegre.

A audiência começou por volta do meio-dia, presidida pela juíza Viviane de Freitas Pereira. Estiveram presentes vários familiares do jovem, como a mãe Rosane, sua irmã Soila e demais familiares. Os três réus - o segundo-sargento Arleu Junior Cardoso Jacobsen e os soldados Cleber Ramos de Lima e Raul Veras Pedroso, com suas defesas, também estiveram presentes à audiência.

O Tribunal também fará inquirição de cinco testemunhas de acusação, também de forma presencial, na próxima sexta-feira (4), no Salão do Júri no Foro da Comarca de São Gabriel, a partir das 12h30. A advogada Rejane Igisk Lopes informou que como iniciaram as audiências neste momento, "não há nada a ser repassado à imprensa. Assim, peço que aguardem o andamento do processo para eventuais questionamentos pertinentes que, por ventura, surjam", informou em nota.

RELEMBRE O CASO
Na noite de 12 de agosto, Gabriel Marques Cavalheiro, 18 anos, tinha se perdido da casa de seu tio no Bairro Independência, onde estava residindo para realizar exames de admissão ao Exército na semana seguinte. Próximo da meia-noite, ele chegou na casa de uma vizinha na rua Sete de Setembro, que acionou a Brigada Militar porque segundo ela, ele queria forçar a entrada no local.

Os policiais militares chegaram ao local, algemaram e teriam agredido Gabriel, que foi imobilizado e levado para dentro de uma viatura da BM. Testemunhas afirmaram que ele foi atingido por "pelo menos dois ou três golpes de cassetete" e foi a última vez que ele foi visto com vida. 

O tio dele deu falta no dia seguinte e informou a família, que iniciou as buscas e ao chegar junto à Brigada Militar, a corporação negou inicialmente e depois, corrigiram a informação, onde afirmaram que o jovem foi levado até o Lavapé, a 2 km de onde ele foi abordado, "a pedido dele". 

As buscas foram feitas na região durante cinco dias e concentradas em um açude, até que no final da tarde de 19 de agosto, o corpo foi localizado submerso nas águas. Os três policiais foram imediatamente presos, após comoção popular e continuam detidos no Presídio Militar de Porto Alegre. 

Os três policiais prestaram depoimentos em três ocasiões, sendo duas vezes para a BM e uma para a Polícia Civil. Em todas, eles negaram envolvimento no assassinato de Gabriel. Os laudos apontaram que Gabriel morreu vítima de hemorragia interna, causado por ação de "instrumento contundente" e os policiais foram indiciados no inquérito militar por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Em 1º de setembro, a Polícia Civil indiciou os suspeitos por homicídio doloso triplamente qualificado.

Reportagem: Marcelo Ribeiro, com informações do G1 
Data: 01/11/2022 18h09
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