23 dezembro 2020

Apicultor denuncia mortandade de abelhas por agrotóxicos no interior do município

João Horácio relata que problemas vem atingindo apicultores em São Gabriel, com prejuízos que vem sendo registrados a casa ano por mortandade das abelhas

Um problema que vem afligindo os apicultores no interior do Estado, que é a mortandade em massa de abelhas e inutilização de colmeias por causa de defensivos agrícolas utilizados para a conservação da soja, também afeta e causa prejuízos para apicultores gabrielenses. Um deles, João Horácio da Costa, 58 anos, procurou a reportagem nesta quarta-feira (23) para relatar o drama que ele - e mais colegas da apicultura - vem vivendo há quatro anos sem solução das autoridades competentes.

João Horácio, que tem suas colmeias no Assentamento União Pela Terra, que fica na localidade do Batovi, mais uma vez registrou ocorrência por mortandade de abelhas e atribui isso à defensivos agrícolas que estejam sendo usados por lindeiros no plantio da soja e que o problema está afetando mais apicultores no interior do município. 



Na última segunda-feira, mais abelhas na propriedade do apicultor foram mortas por envenenamento (fotos divulgação)

"Desde 2016 estou tendo problemas com mortandade de abelhas em minha propriedade, registramos várias ocorrências e nada legal foi feito, sabe? E todos os anos é assim, fui na Polícia, na Ambiental, na Inspetoria Veterinária, amostras foram mandadas mas até agora não se resolveu nada e estamos tendo problemas, no último dia 21 de dezembro, fomos lá fora e mais uma vez tivemos abelhas mortas por veneno que é usado nas plantações de soja", lamenta.

O apicultor disse que em média, de 30 a 40 caixas tem sido inutilizadas pelo envenenamento, o que pode representar mais de 300 mil reais de prejuízo - cada colmeia tem em média, um valor estimado de R$ 800. "Fora a manutenção das caixas, tem todos os procedimentos para poder reunir enxames, e mais uma vez tivemos um ano perdido. Só neste ano, perdemos 40 caixas, que eram 40 colmeias, além de perdemos árvores frutíferas e horta que tínhamos no local", comentando que mais apicultores estão tendo estes prejuízos em outros locais do município.

João disse que o apicultor e representante da Câmara Técnica da apicultura da Secretaria de Agricultura do RS, Aldo Machado, se ofereceu para auxiliar e está agindo para poder apurar as causas e responsabilidades pelos prejuízos. "Nós queremos justiça e responsabilização do prejuízo que eu e demais colegas estamos tendo", finaliza. A situação está sendo investigada no Estado pelo Ministério Público Estadual e pode estar sendo causada pelo chamado defensivo 2,4-D. 

Confira a entrevista realizada com o apicultor:


Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 23/12/2020 22h53
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