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04 dezembro 2020

4 de dezembro, dia das mortes de Gildo de Freitas e Teixeirinha

Gildo de Freitas e Teixeirinha, grandes músicos gaúchos, morreram no mesmo dia com três anos de diferença, em 4 de dezembro de 1982 e 1985 respectivamente (fotos divulgação)

Neste 4 de dezembro, é lembrada a partida desta vida de dois grandes nomes da música gaúcha, com três anos de diferença. Leovegildo José de Freitas (Gildo de Freitas) e Vitor Matheus Teixeira (Teixeirinha), faleceram no mesmo dia, em 1982 e 1985, respectivamente e são lembrados como grandes nomes do nativismo e regionalismo gaúcho. 

Gildo e Teixeirinha rivalizaram muitas vezes, inclusive lançando desafios e as hoje conhecidas "alfinetadas" em composições que divertiam o público, mas ambos foram parceiros também em várias composições. Gildo ficou conhecido como um grande trovador e Teixeirinha como cantor e compositor. O primeiro está sepultado em Viamão e o segundo, no Cemitério da Santa Casa de Porto Alegre. Até hoje, são lembrados e deixaram saudades. 

Gildo de Freitas
Gildo de Freitas (nascido Leovegildo José de Freitas), foi conhecido como um dos maiores cantores e trovadores do RS. Nascido em 19 de junho de 1919, em Porto Alegre (muitos acham que Gildo nasceu em Alegrete), era conhecido por ter uma personalidade forte e de "não levar desaforo para casa". Teve ojeriza da polícia, por um incidente durante um show na juventude.

Foi muito ligado ao trabalhismo, tendo participado da campanha de Getéulio Vargas à presidência. Nos anos 50, conhece Teixeirinha, firmando uma das mais duradouras parcerias e "rivalidade" na música gaúcha. Chegou a largar a carreira para criar porcos, mas a vontade de cantar e trovar foi mais forte.

Chegou inclusive a lançar um LP onde trovou com o então padre José Rubens Pillar (que mais tarde largaria a batina e se tornaria Prefeito de Alegrete por três mandatos, e deputado estadual) e as brigas com Teixeirinha mais constantes em seus LPs, rendendo versos com respostas à altura.

Mesmo com os problemas de saúde nas pernas e pulmões, ele seguia gravando e se apresentando. Sua última apresentação aconteceu no Galpão Crioulo, em 1982, onde já se apresentava debilitado. Morreu em 4 de dezembro daquele ano.

Ao longo de sua história gravou os seguintes trabalhos: O Trovador dos Pampas, Vida de Camponês, O Desafio do Padre e o Trovador, Gildo de Freitas e Sua Caravana, De Estância em Estância, Zezinho & Julieta, Gildo de Freitas, Rei do Improviso, Gildo de Freitas, Gildo de Freitas e Seus Convidados, O Ídolo – Gildo de Freitas, Gildo de Freitas e Os Taytas, Gauchada de Sul e Norte, Gildo de Freitas – Mais Sucessos, Gildo de Freitas – O Rei dos Trovadores, Figueira Amiga. Consagrou sucessos como "Pedidos de um Gaúcho", "Definição do Grito", "Homem feio sem coragem não possui mulher bonita", "Eu reconheço que sou grosso", entre outros.

Em 2017, o CTG Lalau Miranda, de Passo Fundo, homenageou Gildo de Freitas no ENART em Santa Cruz, com um destaque especial no evento, obtendo o primeiro lugar na Coreografia de Entrada, com o tema Gildo de Freitas, e o terceiro lugar na Coreografia de Saída. Foi o quinto colocado na classificação geral. A homenagem ao trovador, repentista e cantor gaúcho Gildo de Freitas, por duas vezes consecutivas, levantou o público de mais de cinco mil pessoas no ginásio principal do evento. 

Teixeirinha
Nascido em 3 de março de 1927, em Rolante (na época pertencente a Santo Antônio da Patrulha), Vitor Matheus Teixeira, ou Teixeirinha, teve uma infância difícil, mas conseguiu vencer na vida. Ele perdeu o pai e a mãe, com três anos de diferença, aos seis e nove anos de idade. Teve de se virar para sobreviver.

Após trabalhar por muitos anos, inclusive no DAER, resolveu tentar a sorte na carreira artística, cantando nas rádios do interior. Gravou seu primeiro disco em 1959, e casou com a primeira esposa, Zoraida. Se consagrou em 1961, quando lançou o LP "Coração de Luto", baseado na tragédia da morte da mãe. O sucesso foi tão grande que até cópias piratas do LP foram vendidas no mercado negro.

A música rendeu a venda de 25 milhões de cópias do álbum até hoje, sendo a maior vendagem no RS. A partir de 1967, passou a atuar no cinema, em doze filmes (sendo que dez foram pela sua própria produtora, a Teixeirinha Produções), que davam lotação esgotada nos cinemas gaúchos. Chegou a se apresentar nos Estados Unidos e Canadá. Teve sua maior parceria com Mary Terezinha, onde também era uma relação de amor e ódio.

Gravou 49 Lps inéditos, com mais de 70 Lps, incluindo regravações, atualmente sendo todos reeditados em disco laser, gravando mais de 700 músicas de sua autoria, deixando um acervo superior a 1200 composições de sua lavra. Teve nove filhos. Consagrou sucessos como "Coração de Luto", "Gaúcho de Passo Fundo", "Tordilho Negro", "Querência Amada", entre outros. Morreu também em 4 de dezembro, mas em 1985, três anos depois de Gildo de Freitas, completando 35 anos de seu passamento.

Por conta dos falecimentos de ambos, a Assembleia Legislativa do RS instituiu o dia 4 de dezembro como o Dia do Artista Regionalista e do Poeta Repentista Gaúcho, pela Lei n° 8814/89, de autoria do então deputado estadual Joaquim Monks. Confira agora, clipes de ambos os artistas.

Gildo de Freitas - Saudade da Minha Terra

Teixeirinha - Tropeiro Velho

Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 04/12/2020 11h07
Contato da Redação: (55) 996045197 / 991914564 
E-mail: blogcadernosete@gmail.com 
jornalismo@caderno7.com
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