Caderno7 - O site de notícias da Metade Sul: A estreia de "Regionalismo" com Dorotéo Fagundes

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A estreia de "Regionalismo" com Dorotéo Fagundes

A partir desta sexta-feira, o Caderno7 passa a ter como colunista o cantor, compositor, violonista e apresentador Dorotéo Fagundes, que por muito tempo foi apresentador do programa "Galpão do Nativismo" na Rádio Gaúcha e é diretor do Sistema Tarca de Comunicação, responsável também pela Agenda Gaúcha. Ele assinará a coluna "Regionalismo", com temas sobre a cultura gaúcha e latina, a ser veiculada semanalmente no site. Confira a seguir:



REVOLUCIONÁRIOS PELA ARTE  

Dorotéo Fagundes
Colunista do site

Raul Eduardo Pereyra, argentino natural de La Plata, por questões políticas, aquerenciou-se no Rio Grande do Sul na década de 80 e fez fama com o nome artístico de Talo Pereira, compondo e cantando nos festivais nativistas, fértil ao estilo revolucionário necessário da época em que a América do Sul vivia em ditaduras militares. Noturna e Linda, foi a vida desse compositor e cantor aqui no pago, que embriagou de arte nossos palcos até 18 de junho de 2018, deixando um legado que ainda deverá ser estudado pelas gerações que se escaparam da triste experiência ditatorial, tanto de direita quanto de esquerda, que mais uma vez e desta feita sorrateiramente, tentou em nome da “democracia e da liberdade” se instalar aqui, como se realizou na Venezuela, mostrando que nada tem de bom quando se ultrapassa os limites do estado republicano. Eu convivi com Talo Pereyra que esteve acadêmico de medicina e abandonou, refugiando-se dos milicos argentinos nestas plagas, clandestinamente que seu talento musical traiu, não tem como um artista em sena ser clandestino e foi isso que lhe garantiu a permanência, pois era um ativista do bem, divertido e profundo. Em 2010 talvez pressentindo o fim, se bandeou pra o lado direito do Rio Uruguai, tentando se readaptar em seu pago criollo mas não deu certo, voltou para o rio-grandense que tanto amou, aonde dorme um sono eterno e viverá em nossa lembrança.

Mas São João Batista nos levou outros guapos em junho, no dia 14 em 1916, retirou do plano terreno um mago chamado João Simões Lopes Neto, o maior escritor regionalista do mundo, de colossal obra, que resgatou nossas lendas e fez o Rio Grande do Sul ser mais gaúcho, dando matéria para todos demais como ele, entenderem melhor quem somos e o que sentimos. O movimento regionalista contemporâneo, sem o gaúcho e sem Simões não existiria, todos bebemos de sua cultura literária revolucionária.

No dia 22 de 1984, São João convocou um dos maiores declamadores do Brasil, Darcy Fagundes para animar as festas juninas no Céu e no dia 23 em 1995, chamou o maravilhoso poeta Aparício Silva Rillo, comprovando seu verso que diz “Tudo que nasce na vida tem fim”. De fato, aqui na terra é assim, no mundo espiritual não, somos eternos, mas Rillo que nasceu em Guaíba, se foi de São Borja para Estância do Infinito, depois de ter nos promovido gigantesca obra poética, e vejam que o capricho de São João não para por aí, no 24 dia do seu aniversário, em 2015, convidou para pular fogueira nos campos celestiais  o nosso extraordinário folclorista, historiador, advogado, cineasta, poeta, cantor, apresentador de rádio e televisão, ator, jornalista, escritor – Nico Fagundes, que se foi de chapéu tapeado, legando ao mundo incomensurável obra de sentido nativista, combatendo o estrangeirismo.       

Mas o mês de São João Batista, que nos tirou esses macanudos seres, já tinha nos legado em JUNHO, duas almas fenomenais, que deram caminho da arte pampiana a todos citados e aos que ficaram, um que nasceu em Porto Alegre no dia 19 de 1919, o vulcão chamado Gildo de Freitas que estaria fazendo 100 anos agora, o maior repentista do planeta, que embora semianalfabeto, cantava sobre qualquer tema filosofando, tinha um ímpeto de justiceiro, uma espécie de Zorro da tradição, não podia ver uma maldade que tomava partido contra, viveu gauderiando pelo talento de trovar, encantou gente erudita, como Alberto Pasqualini, Getúlio Vargas, João Goulart, Rui Ramos e principalmente o povo, o peão campeiro, à quem trovava sobre suas crenças trabalhistas e peleava como bravo para garantir a dignidade, o respeito, convicto de que era grosso, mas não era mal educado, que  “Home Feio Sem Coragem Não Possui Mulher Bonita”, que os passarinhos jamais deviam ter conhecido uma prisão. O outro veio a furo no dia 29 em 1906, justamente no dia de São Pedro, por isso chamado de Pedro Raymundo, o primeiro cantor regionalista gaúcho, de fama nacional, que nasceu em Imaruí/SC, e disse adeus à Mariana, entranhando os caninhos dela.                       
Para pensar: O artista quando atua para convencer e não para convencidos, vira imortal!
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