29 abril 2019

Opinião do leitor: Os Agroquímicos e a desinformação intencional

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente do Sistema FARSUL

Uma reportagem exibida pelo Jornal RBS Notícias na tarde desta quinta-feira, 25 de abril, apresentou um levantamento feito pelo Ministério da Saúde sobre a presença de pesticidas e agroquímicos na água bruta (não tratada) dos municípios gaúchos, destacando três cidades onde o nível de resíduos estaria acima do normal permitido: Tavares, Tapes e São Gabriel. Na água gabrielense, o herbicida presente é o Atrasina Nortox, útil contra todo tipo de espécies daninhas, enquanto que nas outras cidades o químico encontrado seria o Aldrin, cujo princípio ativo é o Fipronil. A reportagem em questão, além de não dar voz a nenhum produtor rural, causou alarmismo e preocupação nas comunidades mencionadas, o que impõe algumas reflexões.



Dispenso-me aqui de fazer defesa das empresas de água e saneamento, visto que não é esse o meu papel. Elas próprias já se manifestaram, explicando o rígido controle utilizado para garantir a potabilidade da água para consumo humano. Estranhamente, a reportagem vai ao ar no momento em que se reacende o debate em torno do Projeto de Lei 3200/15, do deputado federal e hoje secretário de Agricultura do RS, Covatti Filho, que cria a Política Nacional de Defensivos Fitossanitários, apelidado pelo ambientalismo radical como “Pacote do Veneno”. Mais uma vez, a intenção é vender para a população que estão colocando veneno na água e no alimento da população. Isso nem mesmo é um engano. É apenas uma mentira.

A palavra “agrotóxico”, usada pela mídia, não ajuda a esclarecer as coisas. Os defensivos agrícolas nada mais são que remédios contra as pragas e doenças da lavoura, assim como os remédios fabricados pela indústria farmacêutica são para combater doenças do organismo humano. Só que, apesar disso, a ninguém ocorre chamar esses medicamentos de “farmacotóxicos” ou “humanotóxicos”.

A reportagem faz parecer que os produtores rurais dessas três cidades não tem qualquer compromisso ambiental e só pensam em lucro. Mas, de acordo com o Censo Agropecuário de 2017, 61% das 2211 propriedades rurais de São Gabriel não usam qualquer tipo de defensivo agrícola. O país campeão de uso de agrotóxicos no mundo, é o Japão, justamente o país com a maior taxa de longevidade do planeta. Sem agroquímicos, não teríamos combatido as pragas que impediram por décadas o crescimento da produção agrícola. A dona de casa só poderia escolher frutas e tomates feios e carunchados na feira.


É evidente que ainda existem produtores que fazem um uso irresponsável e incorreto dos defensivos. Mas sem estes medicamentos da lavoura, o Brasil não teria se tornado o campeão mundial de produção de alimentos que é, capaz de combater a fome do planeta e ser um agente de paz para todo o mundo.

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