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Opinião - BR 290: Rodovia sem saída? 

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice-Presidente da Farsul

Anunciado desde meados de 2016 pela União, um projeto de concessão de diversas rodovias federais gaúchas à iniciativa privada, denominado “Rodovia de Integração Sul”, repousa desde outubro de 2017 no berço esplêndido do Tribunal de Contas da União, à espera de um parecer. Se esse tempo de espera já diz muito sobre o tipo de atenção dispensada pelo Poder Público à logística do país, mais ainda se olharmos as rodovias escolhidas, ajudando a antever o tipo de critério que norteia as decisões em Brasília.


Serão contempladas as BR’s 386, 101, 448 e a BR 290. Mas não se anime muito, morador da Metade Sul do Estado, que utiliza algum trecho desta longa rodovia de Uruguaiana a Porto Alegre, porque o trecho concedido é o do extremo oposto, no sentido Porto Alegre-Osório. Afinal, trata-se do trecho que atende a região metropolitana, onde se concentram os cargos de governo, os órgãos de imprensa, e, sobretudo, os votos. Em tempo de eleições, a idéia de integração regional, de desenvolvimento igualitário entre as regiões, de atenção à Metade Sul fica para os discursos e para o marketing. Os investimentos, estes continuarão com as regiões de sempre.

Alguém que se identifique com o liberalismo pode até celebrar o fato de a região ser esquecida neste programa, porque ficarão livres de pedágios. De fato, é um peso a mais para um contribuinte que já paga CIDE, IPVA, ICMS e outros tributos oficialmente destinados à manutenção de rodovias. Num mundo ideal, sem governos corruptos e ineficientes, estes recursos bastariam para dar conta deste serviço. Mas quem vive no Brasil real, de estradas precárias e governos sempre alegando não haver dinheiro, quem precisa escoar sua produção só tem a lamentar que a BR 290, e outras da Metade Sul do Estado, não sejam repassadas à gestão privada.  Já tivemos até festa com o fim das concessões e um governador abrindo as cancelas de uma rodovia, anos atrás. Hoje, o resultado são buracos, acidentes e caos.

A Metade Sul não é a mais pobre do Rio Grande, e sim a mais empobrecida. Mesmo tendo mais de 25% do PIB do Estado, o maior número de universidades, e sendo o centro por excelência do agronegócio exportador, permanece com indicadores sociais negativos pela omissão do Poder Público nos investimentos necessários para impulsionar seu progresso. Porque não há estratégia de desenvolvimento a guiar estas escolhas, e sim critérios eleitoreiros desse ou daquele político influente. Fica, ao menos uma lição de proveito neste ano eleitoral,que tomara seja aprendida por nossas comunidades e lideranças regionais: eleger quem possa influir a favor das demandas da região nestes espaços de poder, em vez de esperar que o sistema, por pura caridade,estabeleça critérios mais isonômicos e justos.

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