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Opinião: Exportação de terneiros e a desonestidade militante

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente do Sistema FARSUL

O Estado do Rio Grande do Sul vive a maior crise estrutural e financeira de sua história, com o caixa do Estado sem condições de honrar sequer o salário e a gratificação natalina dos servidores, mas apesar deste cenário caótico, algumas autoridades públicas surpreendem com algumas ações que fazem acreditar que estamos na Suécia ou na Finlândia, com quase zero de preocupações maiores. Uma iniciativa parlamentar da deputada estadual Regina Becker (REDE), indignada com o comércio de gado em pé para países como a Turquia, o negócio que “salvou” literalmente a pecuária gaúcha neste final de ano. Juntamente com ambientalistas e militantes da causa animal, a ilustre parlamentar deseja enquadrar todos os produtores rurais gaúchos perante a mídia como criminosos ambientais, por submeter os animais a uma viagem de longa distância, para abastecer nossa “sede de lucro”.



Realmente, investir no Rio Grande é um desafio que não é para principiantes. O mercado da pecuária viveu em 2017 uma crise de alto calibre, ocorrida não no segmento do pecuarista, mas em outros elos da cadeia produtiva – especificamente, a indústria e o governo. Operação “Carne Fraca”, denúncias sobre financiamentos “amigos” do BNDES para “amigos” do governo anterior, delações e confissões de crime por barões da indústria frigorífica, e quando finalmente o pecuarista gaúcho pôde encontrar uma válvula para gerar divisas e expandir a qualidade da carne brasileira mundo afora...eis que surgem os ambientalistas como inocentes úteis, aliados da nossa concorrência internacional, querendo gerar prejuízos ao país.

O pecuarista gaúcho é um dos pioneiros do uso de boas práticas no manejo do rebanho, muito antes que palavras como “bem-estar animal” entrassem na ordem do dia. Mesmo este tipo de operação de embarque, denunciada por organizações ambientalistas, é feita obedecendo rígidos padrões, tanto nos portos quanto nos navios, especialmente desenvolvidos para este tipo de operação.

Não são apenas estes os inimigos da exportação de gado em pé. Há outros, que usam outros bons argumentos (eles sempre tem bons argumentos). Uns nos acusam de conspirar contra os empregos na indústria frigorífica, como se este setor não tivesse produzido as crises que acabaram viabilizando esta alternativa. Ou como se fosse responsabilidade do pecuarista livrar a indústria de suas ações arriscadas.

Outros entendem que desta forma o Brasil se torna mero exportador de matéria prima sem agregar valor ao capital para o país. Outro equívoco. O animal exportado tem muita tecnologia agregada no trato, na alimentação, no seu preparo final. A carne gaúcha continua a criar uma vitrine importante para a carne brasileira, mesmo neste sistema de negócio.

Senhora parlamentar, se tiver uma solução efetiva para a rentabilidade da pecuária, não hesite em nos dizer. Enquanto isso, vai ter exportação de gado em pé, SIM!
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