Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul
Estamos em pleno mês de outubro, e a região de São Gabriel está em festa, com os preparativos da Exposição-Feira Agropecuária de São Gabriel, que neste ano de 2014 comemora sua 80ª edição, de 11 a 26 de outubro. Destaco isso não somente por presidir a entidade que o organiza, mas por se tratar de uma prova da capacidade e potencial produtivo da nossa Metade Sul, especialmente da nossa região da Campanha, tão mal falada por nós mesmos. O morador da Fronteira, de um modo geral, admira a vitalidade empreendedora dos povos da Serra gaúcha, chegando até mesmo a atribuir seu potencial à origem étnica de seus colonizadores (depreciando a origem luso-espanhola da nossa região, numa forma mal disfarçada de racismo e etnocentrismo), e esquece de iniciativas que dão certo em nossa realidade há muitas eras.
Poucos são os municípios do Brasil que podem se orgulhar de ter em sua comunidade, uma iniciativa que perdure há mais do que trinta anos. Pois em São Gabriel, coração da Metade Sul, temos a quarta mais antiga feira rural do Estado e uma das mais modernas do Interior, apresentando tecnologia de ponta, tanto nas máquinas agrícolas quanto no apuro genético dos animais.
São os resultados de um município que detém o quarto maior rebanho bovino e o terceiro maior rebanho ovino do Estado. O crescimento do soja a partir dos últimos tres anos impulsionou o PIB a R$ 1,2 bilhão em 2011, colocando São Gabriel entre as 40 cidades gaúchas com PIB superior ao bilhão. E mesmo com a forte entrada do soja, o rebanho bovino não diminuiu, graças à inteligência do produtor gabrielense, um dos pioneiros da integração lavoura-pecuária, incrementando a oferta de pastagens para os rebanhos.
A pujança do setor se move na circulação de renda e na oferta de emprego. O setor de serviços, que aparece como a maior parcela da composição do PIB local, sentiria terrivelmente o impacto se houvesse hoje uma frustração de safra, o que prova a importância do agronegócio na geração de empregos no comércio. No setor em si, o padrão de renda dos trabalhadores rurais e a oferta de emprego no campo são alguns dos melhores indicadores sociais dos últimos três anos.
Isto sem falar na visibilidade dos cabanheiros locais, com premiações de destaque na Expointer, e associações de criadores ativas e eficazes, prospectando negócios para a carne da região entre os mercados mais exigentes do mundo. Delegações estrangeiras tem aportado com freqüência na região, sondando o mercado bovino e entabulando negócios com as indústrias do setor frigorífico.
Em 2011, a Expofeira teve um volume de negócios de R$ 918 mil. No ano seguinte, R$ 1,2 milhão, e em 2013 foram R$ 4 milhões na economia local. Neste 2014, um novo capítulo começa a ser escrito, numa história de oito décadas de progresso, competência e trabalho, feitos inteiramente pelo povo gabrielense e pelos que, vindo para cá, prosperaram. Que as porteiras se abram, com orgulho do passado, mas com os olhos firmes no futuro.













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