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30 maio 2014

Opinião do leitor: Ao futuro governador, com respeito

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul

O noticiário começa a dar conta das primeiras definições dos partidos rumo ás eleições gerais deste ano, quando além de escolhermos o presidente da República, também iremos dar nosso voto para eleger senador, deputado federal, deputado estadual e o governador do Estado.  As principais siglas já escolheram seus pré-candidatos, faltando poucos detalhes para ser definidos nas convenções que vão antecipar a campanha eleitoral deste ano. Muito em breve, com o horário político, somente os senhores candidatos terão espaço para falar. Por isso mesmo, enquanto ainda há tempo, é oportuno a sociedade poder expressar aos que postulam o Piratini, o que a sociedade gaúcha espera.  Por ser ligado ao campo, atrevo-me a contribuir com o debate com alguns temas que são motivo de permanente apreensão entre produtores rurais e lideranças do agronegócio gaúcho, setor a quem o Estado deve muito, e o governo entrega muito pouco.


A primeira coisa que pedimos, senhores postulantes, é que nos poupem de um festival de promessas. Toda a sociedade gaúcha tem ampla consciência da péssima situação financeira do Estado. O primeiro compromisso precisa ser com a recuperação das finanças públicas. Desde 1998, o governo do RS dedica 13% de todas as suas receitas para pagar uma dívida bilionária com o governo federal. Em 15 anos, o déficit inicial de R$ 10 bilhões já acumula juros reais de 456%, Atualmente, a dívida do RS ultrapassa os R$ 40 bilhões. E este não é o único comprometimento da receita do Estado, que ainda lida com dívidas judiciais e o custeio da máquina pública – único setor possível de sofrer mudanças. Menos cargos de confiança, mais gestão eficiente. 

Após promover um equilíbrio das contas públicas, nada mais urgente do que promover soluções para os gigantescos gargalos de logística. O sucateamento vergonhoso das estradas e dos principais setores de suporte, como escritórios do Irga, vigilância sanitária, Emater e outros setores que trabalham com pessoal reduzido e em condições precárias pelo Interior afora, tudo isso já ameaça a competitividade da produção rural gaúcha em muitos municípios, sem uma ação efetiva da parte do Estado.

O combate ao abigeato e aos crimes rurais definha, na medida que este tipo de crime avança. Foi-se o tempo do solitário ladrão de gado pulando cercas. Hoje, quadrilhas organizadas invadem propriedades com caminhões, levando de uma só vez dezenas de cabeças de bovinos e especialmente de ovinos, a ponto de a Ovinocultura sofrer risco de extinção na Metade Sul. 

É certo que estas não são as únicas situações que exigem posicionamento do futuro governador gaúcho, seja ele (ou ela) quem for. Mas são contribuições a um debate que, necessariamente, precisa ser travado, acima do lugar-comum das promessas de sempre e das campanhas pautadas pelo marketing. O Rio Grande pode mais, e espera mais.

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