Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul
O dia 19 de abril marca o Dia do Índio. Sabe bem disso quem fez um primeiro grau de qualidade até meados da década de 70, quando de fato as escolas ensinavam a ler e a escrever, e ainda não haviam se rendido a certa sociologia de araque que agora só quer que as crianças e adolescentes se “divirtam”, enquanto desrespeitam professores. A data, que deveria trazer à memória o legado dos primeiros habitantes do Brasil, tem sido rotineiramente usada pela Funai e governo federal para anunciar medidas pretensamente em favor dos indígenas. Neste contexto, “Movimentos sociais” que na verdade são extensões do partido que está no poder, fingem “pressionar” o governo para assinar decretos destinados a expulsar produtores rurais de terras onde estão estabelecidos a décadas, sob o pretexto da demarcação de reservas indígenas.
No Rio Grande do Sul, áreas de quatro municípios estão na mira das demarcações: Caçapava do Sul, Benjamin Constant, Faxinalzinho e Vicente Dutra. Quem se der ao trabalho nada difícil de ir até estes locais e conversar com os moradores, especialmente pequenos produtores rurais, saberá que muitos estão sofrendo ameaça de perda de propriedades que estão na posse legítima de suas famílias há gerações, para ser entregues a tribos que, em muitos casos, não tem uma pacífica e indiscutível relação com o local.
Quem lucrará com isso? Os índios? Não é preciso ser um sociólogo da Funai para saber que, na maioria das terras já demarcadas e entregues a tribos indígenas Brasil afora, quem de fato lucra muito são certas ONG’s e cooperativas que celebram “contratos” com os caciques, para assistência técnica ou exploração do potencial das áreas. Não são poucos os relatos de índios que precisam fugir das reservas e morar em favelas para fugir do poder paralelo de caciques endinheirados, que se tornam a nova oligarquia dentro das reservas.
Esperamos que o governo, ao menos em ano eleitoral, tenha a sensatez de não expulsar agricultores de suas terras para alimentar um novo e perigoso conflito no campo, de proporções ainda não completamente mensuradas. Que se promovam ações de verdadeira valorização do indígena, promovendo sua integração nos benefícios da civilização, como saneamento básico, moradia digna e infra-estrutura condizente nos assentamentos tribais já existentes. Caso contrário, o governo e a Funai estarão oferecendo ao povo brasileiro apenas um “programa de índio”. No mau sentido da expressão.












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