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12 novembro 2011

Papo Reto no Caderno7

João Pedro Lemos
Colunista do blog


Ruínas da Velha Ponte
Ao olhar seguidamente o Google Earth, tenho observado as ruínas da velha ponte do Azevedo Sodré, que ligava à São Felipe e antes a Estação Férrea. As vezes, penso que é lastimável que não possamos conservar ainda que em ruínas coisas que marcaram a vida de um povo e me dou conta que realmente nossa temporalidade é tênue. Ao voltar no tempo em que a velha ponte ainda estava em pé, lembro que centenas de pessoas passaram por ela e a guardam na lembrança, como uma espécie de talismã da memória. Pessoas que simplesmente passaram pelo Azevedo Sodré, ficaram uns finais de semana e nunca mais... Mas essa é mágica da vida, ver e lembrar, lembrar e sentir. Preservar é guardar parte da história de muita gente, ainda que de passagem, alguém que está lendo esta coluna certamente um dia pegou o trem para o Sodré, passou na velha ponte, vislumbrou o anjo no túmulo principal do cemitério da curva, hoje soterrado, praticamente desaparecido e vai entender o que falo.


Acesso à velha estação do Sodré, que não existe mais
Não sei se é só para mim, mas o Sodré tem algo de mágico, talvez porque tenha nascido lá. Li a Ana Rita falando do Suspiro, ela também vive a mesma sensação com seu local histórico, então que ela deve estar me entendendo agora.

Velha ponte do Sodré, hoje destruída
Como disse em minha coluna anterior tendemos a voltar a nossa origem, isso é instintivo, é como retornar ao habitat, como é bom voltar para casa.

Preservar é preciso
O moderno e o novo convivem
preservados em Pelotas
(foto Solano Costa / Especial)
Voltando à questão, ao ver a recuperação da Igreja do Galo, passo a entender de fato como é bom conservar a história, é mais fácil de termos o entendimento de uma seqüência lógica da evolução da sociedade e da vida. Então me ponho a pensar e se preservássemos as ruínas das charqueadas como pensei um dia (tem chaminé de pé próximo ao Pedroso, Charqueada Vacacai e no Tiaraju, Charqueada Santo Antônio). As velhas estações férreas. Na estação antiga do Tiaraju (a primeira) um morador transformou a base dos trilhos arrancados numa cancha de carreira, até então mantinha os banheiros e o prédio da mesma conservados por conta própria, a base dos trilhos com a casinha do guarda-chaves dava a certeza de que ali um dia passaram trens que carregaram a história de muita gente, até militares de patente alta e importantes políticos.

Que bom sería se, por exemplo, pudéssemos chegar à Estação do Sodré e poder dizer: bah! Aqui conheci fulano, cicrana, namoramos, ficamos noivos e casamos (só um exemplo). Tudo tem história, preservar é preciso e essa consciência procuro passar para meus filhos. Que bom um dia levá-los a velha ponte e contar as histórias de descer do cavalo para não trancar as patas nos buracos da mesma e tantos medos que a ponte criava em dias de enchente, era algo de fato assustador olhar um gigantesco volume d`agua por baixo de onde se passava e estar suspenso numa ponte de madeira toda esburacada... Tá louco! Só que a ponte não existe mais, bom ao menos as ruínas me possibilitam um ensaio... Mas e o dia em que as ruínas se forem... Sabem que a memória visual estimula muito mais as lembranças, é aí que preservar ganha importância.

Vislumbrando as ruínas e sem vislumbrar o velho cemitério é que lanço um apelo: “Vamos desenvolver a cultura da preservação”. Inovar é bom, eu gosto, é o futuro, mas nós somos temporais, temos um ontem o que nos facilita o entendimento do que somos. Em países mais avançados, tudo é conservado, a cidade de Pelotas, por exemplo, vem desenvolvendo um Projeto de preservação total, é show de bola. Que nos sirva de exemplo. Obrigado ao Presidente da OAB Subsecção local, e Diretor de Comunicação Social, pessoa que admiro muito, Augusto Solano Lopes Costa pelo apoio com a foto de Pelotas de sua autoria e também por ser defensor da idéia.


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