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| Leonel Brizola, líder do movimento de Resistência que mobilizou os gaúchos e que marcou a história do país (fotos/divulgação) |
Desde o dia 25 de agosto, a política brasileira e principalmente a gaúcha, lembra os 50 anos de um momento que marcou o cenário democrático do país, ameaçado pela instabilidade política da época. Em 25 de agosto de 1961, começavam os manifestos que durariam 12 dias, chamados de "Campanha da Legalidade", liderada pelo Governador do RS e fundador do PDT, Leonel Brizola, e que resultou em protestos e libelos que garantiram a posse de João Goulart na Presidência da República, após a renúncia de Jânio Quadros do posto.
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| Gaúchos saem às ruas para protestar e expor sua inconformidade com a tentativa de impedir Jango de assumir a Presidência da República |
Jango estava na China na época da renúncia, acontecida no dia, assumiria o cargo, mas estava prestes a ser impedido pelos militares, que segundo relatos da época, temima um governo esquerdista. Durante estes dias, o país viveu momentos de tensão, à beira de um golpe. A reação começou no Rio Grande do Sul, que contagiou o país e se espalhou pelos estados, transformando-se em uma mobilização civil e militar jamais vista. Em 27 de agosto, Brizola convocou os gaúchos para resistir ao golpe, por meio das rádios Farroupilha e Gaúcha, diretamente dos chamados "porões do Palácio Piratini", e mais tarde, foram lacradas pelo Governo Federal. No mesmo dia, Brizola se reuniu com o comandante do III Exército, General Machado Lopes, que anunciou o apoio à causa.
O governo, então, requsitou a Rádio Guaíba, para novo pronunciamento, e a partir disso, ela virou a emissora oficial para irradiação dos comunicados, conclamando assim o povo gaúcho a defender a Legalidade. Uma grande rede foi formada pelas demais emissoras da Capital e interior do RS.
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| Palácio Piratini foi cercado por barricadas, para resistir a qualquer tentativa de golpe |
Com isso, Brizola entricheira-se no Palácio Piratini, mobiliza a Brigada Militar e, através da “Cadeia da Legalidade”, convoca o país a resistir ao golpe. A firme atitude Brizola divide as Forças Armadas, com a adesão do III Exército, sediado no Sul e comandado pelo General Machado Lopes, à tese do respeito à Constituição. Ameaças de bombardeios ao Piratini e tentativas de ataques aconteceram, mas que nunca foram efetivadas por conta da adesão dos militares gaúchos, que inclusive se propuseram a dar a própria vida para garantir a democracia.
A luta não representou somente à garantia da posse de Jango ou um ato de bravura da comunidade gaúcha, que se sentiu desrespeitada por ações do Centro do país. Outras ações motivaram o levante histórico, como medidas tomadas pelo Govrno do Estado, como investimentos estatais, encampação de empresas estrangeiras, a primeira reforma agrária organizada e a rede de 6 mil escolas implantadas pelo governo trabalhista de Brizola.
A Legalidade foi considerado o maior movimento popular do Brasil desde a Revolução de 30, e deixou uma herança política para futuras gerações. Veja os vídeos, para conhecer mais sobre a história da Legalidade (há vários no Youtube a respeito), em um documentário produzido pelo PDT em 2001:
E-mail: blogcadernosete@gmail.com















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