Marcel da COHAB
Colunista do blog
O primeiro registro que tenho na memória de uma seleção brasileira de futebol, é das eliminatórias para a Copa de 86, realizadas em 1985. Evaristo de Macedo treinava aquele time que tinha Zico, Falcão, Renato Gaúcho, Leandro, Careca, Casagrande e outros. Lembro que, aos 8 anos, fiquei muito triste com nossa eliminação naquelas quartas de final no México, com o Zico perdendo um pênalti na prorrogação contra a França de Platini, Tiganá e do goleiro Joel Bats. E o que dizer do pênalti francês que bateu na trave, nas costas do goleiro Carlos e entrou em nosso gol? Comoção nacional. Em 90 foi pior: eliminação precoce e diante da Argentina de Maradona e Caniggia, naquela que seria chamada de “A era Dunga”, de forma cruel e injusta.
Após, tivemos a seleção tetracampeã do Romário, a final decepcionante da França em 98 e a convulsão de Ronaldo (então, Ronaldinho) a família Scolari em 2002, e as decepções de 2006 e 2010. Acredito que a copa de 1998 foi um divisor de águas na paixão do brasileiro pela seleção. Muitos dizem que entregamos o jogo, em favor de ajudas futuras. É uma injustiça com o ótimo time francês e um desrespeito pensar isso. Mas torcedor é torcedor. Dali em diante, perdeu-se o glamour e o amor pela seleção. As pessoas não torcem mais, aliás, em alguns casos torce-se contra. Descrédito com a CBF e a perpetuação no poder de Ricardo Teixeira, falta de identificação com uma seleção cada vez mais européia (tem jogadores que saem garotos daqui sem nunca ter jogado num clube grande e se formam por lá), falta de amor à camiseta (ainda existe isso em algum lugar?), ou por que o treinador é identificado com um time rival.
A verdade é que o futebol virou um negócio, isso era inevitável, mas não precisava virar “tão negócio assim”. Quem quiser ver a seleção brasileira da pátria de chuteiras, terá que procurar no youtube os vídeos antigos da década de 70 ou de 80. Temos hoje jogadores milionários, pouco identificados com o povo, vestidos dentro de altas grifes, com sotaques das mais variadas regiões da Europa e Ásia – e não sou contra quem ganha seu dinheiro honestamente o que é o caso - , mas isso afastou a seleção do público. Raramente vemos a seleção brasileira jogar em solo brasileiro. Amistosos só no exterior.
É claro que as crianças imitam o corte de cabelo do Neymar, as meninas gritam chorando por ele, mas quando falo em identificação, eu falo em torcer de verdade pela camiseta, pelo País e isso quase que não existe mais. Eu, por exemplo, já fui torcedor de assistir amistoso, de vibrar com as competições. Entretanto, hoje jogo algum da seleção me chama atenção, chego a dormir no intervalo como neste último contra o Equador, e noto, através das ferramentas virtuais que não sou o único, é uma tendência. Perdeu ou ganhou, tanto faz. Existe muito marketing, muita mídia forçada em cima desses atletas. Um exemplo disso foi o primeiro tempo contra o Equador, em que eu via uma seleção envolvida pelo adversário, não acertando passes e o nosso glorioso Galvão Bueno dizendo que o time tava melhor, que Robinho e Neymar estavam evoluindo sob a concordância do não menos glorioso Casagrande.
Hoje torcemos pro nosso time e só. Até por ser nossa paixão imediata, pela rivalidade, muitas vezes dentro de casa. Talvez, se não fosse pelos torcedores rivais, pelo combustível da rivalidade, nem pelo nosso time estaríamos torcendo. O futebol ta chato em todos os sentidos. Virou negócio, suspeitamos de tudo, já não aceitamos as coisas como verdades absolutas.
A pátria tem preferido descalçar as chuteiras, colocar o pijama e dormir em berço esplendido, para enfrentar as agruras do dia seguinte. Trocamos o “haja coração, amigo!” pelo “HAJA PACIÊNCIA, AMIGO!”
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