Astrogildo de Azevedo, referência em Cirurgia Robótica

Vestibular Urcamp - Para todo o caminho, o melhor de ti

Mês das Mães Peruzzo - Porque amor de mãe vale o ano todo!

Danilo Pires Assistência Técnica agora é Good Place, com o melhor em Apple

Astrogildo de Azevedo, referência em Cirurgia Robótica

Super Engenho São Gabriel - Mais qualidade para sua família

Mês das Mães Peruzzo - Porque amor de mãe vale o ano todo!

Vestibular Urcamp - Para todo o caminho, o melhor de ti

São Gabriel Saneamento - o melhor está por vir, acredite

Urbano Alimentos - colaborando para o crescimento de São Gabriel e região

Faça um Seguro de Vida e concorra a prêmios no Sicredi!

12 novembro 2010

Fato Consumado: O Ajudante do Dia

Marcel da COHAB
Colunista do blog

Nos idos anos 80, quando eu cursava a quarta série do primário nós tínhamos a figura do “ajudante do dia”. Era quem auxiliava o professor nas tarefas de recolher os exercícios resolvidos, apagava o quadro, juntava o lixo e, vez por outra, dedurava quem bagunçava quando da ausência do professor ou quando este saía da aula para alguma incumbência extra classe. Ser ajudante do dia era um privilégio, visto que, para tal era necessário ser um aluno exemplar, educado, boas notas e por aí vai.

Pois ultimamente, esteve bastante presente na minha memória uma eleição para ajudante do dia em que os candidatos eram Luizinho e Aninha. O processo era democrático, os candidatos eram indicados pela professora e a turma votava no seu preferido escrevendo o nome num papelzinho mais tarde aberto na frente de todos sendo os votos apontados no quadro. Era uma questão de honra para ambos, vencerem a escolha. Isso significava respeito, moral e, acima de tudo, orgulho dos pais. Outros tempos. Luizinho e Aninha tinham boas notas, nenhuma vermelha (naquele tempo, nota abaixo da média era vermelha, hoje nem sei se existe nota ainda na escola, enfim), eram educados, um tanto quietos, bem vestidos e, quando deixavam de lado a timidez, eram eloquentes.

Pois a professora chamou ambos na frente da turma e deu 3 minutos para cada qual dizer o porquê deveriam ser escolhidos ajudante do dia. Aninha, por ser menina, começou. Gastou seus três minutos falando mal do Luizinho, falando que a roupa dele era feia, que ele repartia mal o cabelo, não sabia jogar bola, não dançava com ninguém nas discotecas e o pior, não dividia a merenda com os colegas. Mais tarde chegou a vez dos três minutos do Luizinho. Disse ele que sua adversária era feia, o carro do pai dela também era feio, a voz dela horrível, a cor da sandália não combinava com o restante da roupa e que ela usava sempre a mesma meia. De repente o negócio virou debate, Aninha dizia “pelo menos a minha casa é maior que a tua...” e o Luizinho retrucava “sai daí, feiosa”...a turma caiu na risada, e o que era democracia virou baixaria. A professora interveio, chamou a atenção de ambos, pelas ofensas, e também da turma pelas gargalhadas. A nossa professora resolveu cancelar a eleição e decretou a extinção do cargo de ajudante do dia.

Pois quase vinte anos depois aquela eleição para ajudante do dia ainda martela minha cabeça. Quais seriam as propostas da Aninha, caso a eleição saísse e ela vencesse? A mesma dúvida paira em relação ao Luizinho. É que um queria ganhar do outro, e para isso, um falava mal do outro para os colegas.E na oportunidade que tiveram de falar uma só vez para toda a turma, um ficou apontando os defeitos do outro. O que eles fizeram foi expor-se ao ridículo, pois tornaram públicas as suas fraquezas sem exaltar cada qual suas qualidades e suas propostas para o bem da classe.

Duas décadas depois, não sei onde andam Luizinho e Aninha, quem sabe aquele ódio não era amor contido e não estariam ambos casados hoje? Talvez, nem quero saber. Mas o que eu queria saber deles mesmo é o que eles fariam durante seu período de ajudante do dia, pois nem eu, nem os outros “eleitores” tivemos conhecimento de suas metas. A professora não deixou que ocorresse a eleição do ajudante do dia e nós nunca saberemos quem venceria e o que faria. Mas eu ao menos gostaria de ouvir o que eles tinham em mente para o “cargo”. Maldita dúvida. Bom, eu lembrei de Aninha e Luizinho assistindo televisão, talvez eles, onde quer que estejam, também tenham lembrado desse episódio durante o mês de outubro passado. Talvez você também, em algum lugar já tenha presenciado uma discussão de um Luizinho e uma Aninha.

Naquela época achei muita graça dos dois, como toda a turma, mas eram crianças de sete anos, e esse tipo de comportamento quando se é criança é aceitável. Também se tratava de uma turma de 25 crianças, e era apenas a escolha de um ajudante do dia. Porém, como em todos os episódios da vida, a gente sempre tira alguma lição. E no episódio do ajudante do dia, passadas duas décadas, pude constatar que aquela turma retratava a realidade de um País, mesmo hoje, depois da virada do século. Escolheríamos entre Aninha e Luizinho o que tinha menos defeitos, ou o que era mais simpático. As suas ideias? Bem, estas, se eles as tinham, guardaram para si.

1 comentários via Blogger
comentários via Facebook

Um comentário:

  1. Lembro dessa época Marcel. Era muito legal. Chegávamos na escola na expectativa de quem seria o ajudante do dia. Saudades de um tempo que não volta mais.

    ResponderExcluir

Com jeito, tudo pode ser dito das mais variadas formas. Solicitamos: leia a matéria antes de comentar. Colabore conosco para a difusão de ideias e pontos de vista em nível civilizado.