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| Gabrielense Marlon Oliveira fez sucesso na Argentina, construindo trajetória no esporte, cultura e projetos sociais em Rosário (foto divulgação) |
Segundo ele, a escolha por Rosario ocorreu pela proximidade cultural com o Rio Grande do Sul e pela semelhança com Porto Alegre. “Escolhi a Argentina como primeiro país e a cidade de Rosario por duas questões: por ser muito parecida com Porto Alegre e pela cultura, que é muito semelhante à que eu estava acostumado”, afirmou.
Ao chegar à Argentina, Marlon encontrou dificuldades para validar o diploma obtido no Brasil, em razão das diferenças de reconhecimento profissional e do idioma. Diante disso, decidiu voltar à universidade. Foi nesse período que conheceu a UAI, instituição que, segundo ele, abriu novas possibilidades de formação e atuação profissional.
“Conheci a UAI porque ela sempre aparecia nos meios de comunicação, no YouTube, em programas de televisão e nos meios esportivos. Entrei na universidade e o restante é uma história bonita, porque ela me abriu as portas para me formar novamente e hoje estar como profissional da casa”, relatou.
Na universidade, Marlon cursou Licenciatura em Educação Física e Esportes. Durante a formação, também teve a oportunidade de atuar como docente auxiliar, experiência que permitiu aplicar atividades semelhantes às que desenvolvia no Brasil.
“Fui docente auxiliar e isso me possibilitou desenvolver atividades com os alunos como as que fazia no meu país. Foi uma experiência social muito forte e que me ajudou na gestão de projetos”, destacou.
Após concluir a graduação, o gabrielense passou a integrar o corpo docente da instituição. Ele afirma que leva para a sala de aula valores como dedicação, ética e responsabilidade, recebidos ao longo da formação e também de sua trajetória pessoal.
“A educação física é um meio que conecta o mundo através do movimento, da linguagem e da arte. Esses são os valores que hoje priorizamos e que tento passar aos meus alunos, que amanhã serão colegas”, declarou.
Além da atuação acadêmica, Marlon também desenvolve iniciativas próprias. Ele é fundador do Habla Tú, projeto que oferece cursos, eventos e encontros chamados de “talking coffees”, voltados à troca de idiomas e expressões entre argentinos e brasileiros. A proposta busca aproximar os dois públicos por meio da linguagem cotidiana.
O professor também é criador do Corazón Solidario, uma agrupação migrante formada por representantes de sete países e mais de 70 voluntários. A iniciativa atua em bairros carentes, com atividades físicas, ações comunitárias e distribuição de refeições. Em 2023, o projeto foi declarado de interesse pelo Conselho Municipal de Rosario. A origem da iniciativa remonta a 2014, em São Gabriel.
“O educador físico tem o poder de mudar a vida de uma comunidade através do movimento e do jogo. Nos bairros de Rosario não chega a educação primária e também não chega a educação física, que tem um fator muito importante na primeira infância e nos adultos maiores. Nós estaremos ali incentivando que o movimento seja protagonista da nossa vida cotidiana”, explicou.
Atualmente, Marlon também é coordenador da seção de adaptação de futebol formativo para crianças de 4 a 5 anos no Club Atlético Newell’s Old Boys. No clube argentino, ele trabalha a inserção do futebol na vida das crianças a partir da educação física e do desenvolvimento motor.
Segundo Marlon, a experiência tem significado especial pela história do clube, que revelou nomes como Lionel Messi e Lionel Scaloni.
Entre os projetos futuros, o professor desenvolve uma pesquisa sobre os impactos do uso excessivo de telas, relacionando o tema a questões como desatenção, sedentarismo, perda de sono, falta de paciência e menor interesse pela prática de educação física. O trabalho foi apresentado no primeiro Congresso de Educação Física e Esportes de Rosario, em 2024, também em Buenos Aires, e será levado ao terceiro congresso da área em Rosario.
A proposta de Marlon é conectar a educação física a outras áreas com compromisso social e humano, ampliando o debate sobre saúde, movimento e qualidade de vida.
“Meu grande sonho e ilusão, para o dia de amanhã, é conectar todas essas carreiras e trabalharmos juntos para promover a saúde e mostrar que devemos fazer mais atividade física e usar menos as telas”, afirmou.
Reportagem: Marcelo Ribeiro
Data: 13/05/2026 08h42
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