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Flávia Batista abre o jogo sobre o "áudio do desabafo"

Flávia Batista falou à reportagem do Caderno7 sobre o áudio em que foi acusada de ofender a comunidade, o que não é verdade. Ela desabafou pela falta de parcerias para o apoio à causa animal, especialmente de pessoas do meio
Vereadora afirmou em entrevista que desabafou pelas críticas e cobranças, além da falta de apoio de simpatizantes da causa animal

Um fato que ocorreu na comunidade nesta semana foi o vazamento de um áudio da vereadora Flávia Batista de Almeida, do PP, onde um desabafo com vários palavrões teria sido atribuído à críticas contra a comunidade. O trecho de 33 segundos viralizou na comunidade e inclusive foi veiculado pela Rádio São Gabriel na manhã de quarta-feira. A reportagem do Caderno7 entrevistou a vereadora para saber a realidade dos fatos. Flávia afirmou que o desabafo se referiu à falta de apoio de integrantes nas ações pela causa animal.



Ela disse que não esperava uma repercussão tão grande e que o áudio foi fragmentado - de fato, apenas uma parte do áudio foi conhecida na comunidade, o que pode ter originado o contexto - e que isso chocou seus familiares. Flávia afirma que jamais faltaria com respeito com a população e disse que buscará responsabilizar quem fez isso. Confira agora, a entrevista da vereadora ao blog, com exclusividade:

Vereadora Flávia, sobre esta questão do áudio. Primeiro ponto a elucidar: a voz na gravação é sua?
Sim.

A quem a senhora se referia em seu desabafo? O que ocorreu...
Foi assim Marcelo, essa gravação surgiu dentro do gabinete fechado e ela foi cortada. Quando comecei, era uma conversa e quando terminei, foi outra conversa.

Então quer dizer que o áudio pode ter sido editado? Por que na realidade, só um pedaço foi divulgado e espalhado, que gerou várias interpretações. É isso que queremos entender.
Sim. Comecei este desabafo por causa de pessoas que cobram a causa animal, "jogam pedra" mas que não ajudam com nada, com alimentação, não doam. Como vereadora, estão me exigindo que faça algo, mas vou explicar. Uma vez, um senhor me pediu uma ajuda com medicação e consulta para um animal e fui lá com meu marido, presidente da ONG (Anjos de Pêlo) e fizemos tudo, buscamos e levamos ao veterinário. Pagamos e deixamos a medicação com ele, que não deu. Sabendo de picuinhas e adversidades com as outras (protetoras), ele pegou outras pessoas que perguntaram se a vereadora tinha ajudado, e ele afirmou que “não, liguei para ela e não veio”. Ele usou a gente para tratar o animal, mas ele faltou com a verdade.
Na maioria dos casos, quando é possível, ajudamos. Mas nos ligam, xingam, a a gente fala que não tem porque precisa alimentar os animais, e a justificativa é sempre a mesma: “tu foi eleita para isso, tu ganha aquele monte de dinheiro para isso”. É só o que escuto, “tu tem obrigação”, ligam para mim como por exemplo, um vizinho que pede para recolher um cachorro porque ele está latindo muito porque “eu prometi em campanha que ia fazer isso”, mas não foi isso que falei, quando me referi a ajudar, foi fazer pelo coletivo, entrar na Câmara de Vereadores e solicitar à Prefeitura ações como o castramóvel, onde fui pedir emenda parlamentar, com parcerias, como foi feita com o Prefeito e o Dr. (Ricardo) Coirolo (Secretário da Saúde), como é que vou passar por cima do sistema, da parte burocrática? Não tenho como fazer isso, eu não tenho o "poder da caneta".
Quando fui pedir ao Prefeito (Rossano Gonçalves), não se negou a ajudar, mas ele deixou bem claro a situação caótica das finanças municipais. Eu sou oposição, mas fui eleita com uma bandeira neutra pela causa animal. Nunca houve um setor ou algo responsável dentro da nossa cidade que pudesse zelar e olhar pelos animais abandonados, sempre foram as meninas que tiraram dinheiro do próprio bolso ou buscando ajuda da comunidade. Hoje tem uma vereadora, que foi eleita, coisa e tal, mas o que acontece? A própria causa me denigre, aquelas que eram para estar ali apoiando, não, estão não sei se tu notou. Se eu bloqueio (em rede social) é que não gosto de resolver dessa forma, porque é uma “coisinha desse tamanho” e daqui a pouco um monte de gente começa a dar um palpite e resolver que é bom, não resolve. Não é que eu não aceite críticas, eu aceito sim, mas digo assim, aquele animal que não se pode recolher, ter alimentação, vamos se unir, arrumar alguém que possa adotar, vamos fazer juntas? "Não, tu tem obrigação de recolher porque tu foi eleita para isso", mas se esquecem do animal que precisa ser adotado, ser alimentado, ser cuidado.
Então, este desabafo que fiz e consta no áudio não é voltado a comunidade gabrielense, à nossa população, mas para a comunidade que compõe a causa animal. Foi esta que eu esperava que me ajudasse, que se unisse em torno da causa. E aquela outra, “esta gente que não merece”, é esse tipo de gente que ajudei mas que insiste em dizer que não faço nada. Em hipótese nenhuma que não me referi à comunidade em geral. Ontem não dormi, não vou te negar. Eu fiquei escutando este áudio, isso aconteceu em um tal dia que fiz um desabafo. Eu tenho vários prints do que falam, falando da minha vida íntima na rede social e não tem nada a ver com a causa nem com minha vida política.

Tens ideia de quem fez isso e quando aconteceu?
Me recordo que isso foi no começo de maio, no gabinete, foi uma ex-assessora minha (respira fundo).

Estás encontrando alguma dificuldade em seu mandato?
A maior dificuldade que temos são as cobranças indevidas de quem deveria ajudar e as pessoas que mentem, dizendo que eu não faço. Como vereadora, eu poderia simplesmente ficar aqui e mandar para as ONGs, porque não tenho mais obrigação, não pertenço mais às ONGs, eu sou uma voluntária. Ninguém me colocou isso na cabeça. Eu não tenho mais que fazer denúncias de socorro, ninguém tem essa obrigação, nem as ONGs, mas apenas pelos animais. A gente tem que ir falar com a pessoa e tentar resolver pelo bem do animal. Todas são voluntárias. Nenhuma protetora é remunerada, não é funcionária pública, elas fazem por amor. Umas conseguem nas horas vagas, outras no tempo integral. Eu resolvi viver minha vida toda em torno dos animais, mas não é agora por causa da política. Isso já vem de anos.

Quais seriam as principais cobranças? Há solução?
A maior cobrança delas é a superpopulação de animais, enquanto tu recolhe um, está nascendo dois ou três. Uma cadela, por menos que seja, ela dá cria a cinco, seis animais. Essa é a maior cobrança. Só que como te disse, a parte burocrática agora a gente está dando prioridade à saúde, estamos providenciando com o Secretário para que regularize as parcerias para castrações com as clínicas veterinárias, é chegar ao tão sonhado castramóvel, castrando os que existem por aí e chegando aos que nasceram. Tem também o atendimento médico, como casos de câncer, animais quebrados, cinomose, esta parceria vai ser para nóis agora, uma mão na roda. Isso foi anunciado em meu Facebook, foi anunciado e estamos trabalhando, mas estamos na parte burocrática. A prefeitura vem trabalhando e está indo pelo mais rápido que dá para fazer, legal, mas não pode fazer o que eles querem, nem eu posso.

A senhora esperava tanta repercussão desse áudio? Como está reagindo, lidando com isso?
Marcelo, não esperava que esse áudio fosse parar nas redes e muito menos em uma rádio. Me chocou muito. Tenho dois filhos. Essa pessoa que fez isso não pensou. Se botou, perdeu porque não deu valor. Quem não gostaria de ter um trabalho? Se não deu valor, problema dela, que pegasse outro e seguisse sua vida, mas me culpar por tudo? Eu acho que não tenho vergonha, eu fui o que falei, do meu passado, falei ali... O meu passado não me deixou de ser o que sou, não foi empecilho. Foi uma escolha da minha vida, nunca falei disso e nem na vida de ninguém, jamais vou falar. Podem falar o que quiser da minha vida íntima, mas jamais vou falar. É a pior falta de caráter de uma pessoa, porque tu deu confiança para aquela pessoa, sair falando da sua vida íntima e tu jogar isso para me agredir, denegrir a pessoa. Eu acho que é a pior coisa que um ser humano tu usar a falha do outro para atingir ele. Tudo pode acontecer em política, em vizinhos, mas tu não sabe o que aconteceu na minha vida lá atrás, o porque passei aquilo ali.
Meus filhos leram aqueles horrores todos que escreveram nas redes, eu chorava. Tu sabe que eu sou uma pessoa “cara dura”, eu não fujo da raia, não tenho medo de assumir. Mas meus filhos são dois homens, eu já tenho uma neta. O que vou dizer pros meus filhos? Dá vontade de rebater, eles estão dizendo horrores nas redes, passando o áudio para todo mundo, só querem “ver o circo pegar fogo”, tem umas mulheres ali dizendo que elas nem sabem o que é isso, que vivem na antiguidade, espalhando um áudio que foi cortado e que mostra como se eu tivesse generalizando, mas que foi tudo feito por partes, que foi uma coisa e na verdade está sendo dito como se fosse outra. Tem tanta gente boa que conheci nesse meio e que hoje em dia, ocupam profissões e cargos públicos, em empresas, mudou o caráter delas e que nunca precisaram pisar em ninguém. Quando disse aquilo ali, no dia do desabafo, eu trabalhei, nunca tive ninguém me apontando o dedo e chamando de ladra, eu chorava. Foi em um momento de desabafo, inclusive peço desculpas, mas jamais imaginaria que iria sair daqui de um gabinete e distorcido. Eu falei para uma pessoa que confiava.

Te arrepende de estar aqui?
Não me arrependo de estar aqui e faria tudo de novo.

A relação com o partido, como está neste episódio?
O meu partido está totalmente de apoio comigo, por não ter tido nada a ver a política e ter sido uma coisa pessoal e muito menos que envolvesse meu cargo, tanto que até uma manifestação foi feita no dia de hoje (no Jornal da Cidade).

E com os colegas? Como está a relação. Chegou a se cogitar que eles fossem o alvo de seu desabafo.
Poxa, estou até contente com meus colegas, cada um tem seu trabalho. Posso até não concordar com o que pensam, mas todos se respeitam. Cada um tem sua posição, individualidade e eu tenho a minha. Por exemplo eu me “peguei” no começo com o (Rossano) Farias, hoje nos conhecemos, nos respeitamos, depois disso a gente conversou. Hoje te digo que estão lutando bravamente, eles não tem esse poder todo que a população pensa que temos e que até muitas vezes, aguentam calado muita coisa. Fico sentida, não sou disso. Só me deu uma certeza: que preciso trabalhar estes quatro anos, não sei se vou aguentar... Eu não sou dessa época, sou muito “das antigas”, eu sempre soube o que estou fazendo, como estou fazendo. Só confio em Deus mesmo, meu único parceiro. Tem muita gente boa do meu lado, é uma experiência para a gente ver quando aparece a verdade . Se tu tá com raiva da pessoa, tu está com raiva de ti, por ter confiado, por ter aberto teu coração. Eu não acredito, quando as pessoas nos seus lugares, nunca tiveram vontade de trocar uma ideia com uma pessoa, porque tu passa a ter medo dela porque traiu sua confiança

Considerações finais.
Jamais me referi à comunidade dessa forma, quem me conhece de anos, jamais ofenderia a pessoa sem a pessoa me ofender primeiro. Não sou santa, sou "estourada", mas não falo por falar e jamais denegriria ninguém, ainda mais uma população como a de São Gabriel. Minha campanha foi de solidariedade, foi por um trabalho, uma causa. Eu peço assim, que pensem por esse lado, quem não me conhece, pergunte para quem me conhece. Repito, jamais ofendi, não foi isso que aconteceu, não tenho o porque mentir, respeito todo mundo, não uso de politicagem, mas eu adoro ser respeitada. A comunidade escute bem isso e analise, eu escutei milhares de vezes e aquilo foi feito para parecer que eu agredi as pessoas, mas jamais me referi à população em geral. Se eu tive um erro, foi de confiar em alguém e pode ter certeza que não confio mais.


Reportagem: Marcelo Ribeiro 
Data: 13/07/2017 17h03 
Contato: (55) 3232-3766 / 996045197 
E-mail: blogcadernosete@gmail.com 
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