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MP investiga esquema que lesou cidadãos que processavam empresa de telefonia

Golpe fez vítimas em São Gabriel, entre elas o catador Perdigão, que deixou de receber metade do dinheiro que tinha direito (foto Giovani Grizotti/RBS TV/Especial)
Um esquema veio à tona nesta segunda-feira (15), por meio de reportagem investigativa da RBS TV e que teve vítimas em São Gabriel. O Ministério Público do Rio Grande do Sul está investigando um golpe praticado por advogados suspeitos de enganar seus próprios clientes. Neste esquema, os defensores teriam recebido suborno de uma operadora de telefonia para prejudicar quem os contratava em processos milionários contra a empresa.
O esquema envolveria ex-integrantes do Judiciário e Ministério Público, além de dois advogados suspeitos de lesar os clientes nos processos. A investigação apontou que os advogados Evandro Montemezzo e Flávio Carniel teriam recebido 15 milhões da operadora Oi para para desistir das ações sem que os clientes soubessem, abrindo mão do dinheiro a que teriam direito. Estes valores eram referentes a ações da antiga CRT.

Muitos dos clientes lesados, de acordo com a Promotoria responsável pelo caso, teriam direito a receber milhões de reais quando na verdade receberam pequenas quantias ou nada. Para garantir o ressarcimento das vítimas, a Promotoria conseguiu judicialmente bloquear contas bancárias, dois veículos de luxo e sete imóveis dos advogados, incluindo uma mansão de Evandro Montemezzo, situada no Centro de Taquari, onde também foi cumprido mandado de busca.

Um outro advogado de Porto Alegre e Procurador de Justiça aposentado também é alvo de investigações, além de mais dois advogados, que eram ligados ao escritório de Maurício Dal'Agnol, de Passo Fundo. A PF diz que Roger Maurício Bellé, de Bento Gonçalves, na serra gaúcha, e Cássio Viegas de Oliveira, de Montenegro, no Vale do Caí, representavam vítimas que tinham direito a mais R$ 60 milhões. Nesses processos, um dos acordos era de R$ 12 milhões, que seriam destinados a cinco clientes.

Em São Gabriel, o padeiro Edson Geriberto Boeck, atendido pelos advogados, teria direito a mais de R$ 600 mil, mas recebeu apenas R$ 3,5 mil. Hoje, ele vive com um salário mínimo. Vítima de infarto, precisa comprar 11 medicamentos.

“Foi advogado do diabo. Tanto de um lado como do outro, só que ele visou só o lado dele, ele não visou o lado do cliente, ele não preservou a ética de um advogado que se preze”, desabafa. “Isso foi uma traição aos clientes, traição a confiança dos clientes, sem contar que essa postura dele violou todos os deveres éticos de um advogado”, afirma a advogada Ana Carolina Reschke, que defende as vítimas.

Outra vítima do golpe foi o catador Paulo Ubirajara de Moura, conhecido como Perdigão e que junto com a mãe, foi procurado por um dos advogados. O acordo reduziu a metade o dinheiro a que eles tinham direito. “As pessoas acabam desacreditando em tudo, a gente fica sem ter o que dizer praticamente. Dizer o quê? Não dá pra confiar em nada, a gente confia e leva o golpe”.

Segundo nota, a Oi disse que não é o objeto da investigação mencionada na reportagem e que "buscará colaborar para que os fatos sejam esclarecidos". Os advogados discordam das acusações e disseram serem vítimas de "injustiças" e que os pagamentos foram todos feitos dentro da lei. O episódio pode chamar a atenção também para que as pessoas tenham mais cuidado e possam também procurar advogados da cidade ao invés dos de fora. 

Reportagem: Marcelo Ribeiro com informações do G1 RS e Giovani Grizotti 
Data: 15/05/2017 15h32
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