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Opinião do leitor: Jogando a Medalha fora

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel
Vice Presidente da Farsul

Daqui a alguns dias começam os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e é evidente que vou assistir a tudo o que puder, e que, como brasileiro, vou torcer para que tudo dê certo, mas as notícias que já chegam não cansam de nos envergonhar. Dispenso-me de comentar o papelão do prefeito do Rio, que diante de queixas da delegação australiana sobre a péssima infra-estrutura da Vila Olímpica, foi grosseiro e irônico dizendo que “se preciso colocava um canguru no local pra deixá-los felizes”. A delegação devolveu a grosseria malandramente carioca entregando um canguru de pelúcia ao prefeito. E isso que a soma de gastos que o governo terá (ou seja, todos nós) com os jogos é escandalosamente generosa.



Segundo as estimativas mais recentes, os gastos do governo federal com os Jogos Olímpicos deverão ficar em cerca de R$ 39 bilhões. Para se ter uma dimensão do montante, basta referir que, no que diz respeito aos investimentos para o agronegócio, as Letras de Crédito Agropecuário foram redimensionadas para R$ 10 bilhões, e o programa Agricultura de Baixo Carbono tem um orçamento geral de apenas R$ 2,9 bilhões. O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos (Moderfrota) está orçado em R$ 5,5 bilhões. E estamos falando de valores referentes ao período 2016/2017, cuja liberação para o setor produtivo é condicionada às regras do sistema financeiro. No caso das Olimpíadas, tudo sai sem licitação ou concorrência pelo tal “Regime Diferenciado de Contratações”, uma forma de burlar os controles da Lei de Responsabilidade Fiscal criada durante a Copa do Mundo, e que se dizia que seria apenas para aquela ocasião. Como os nossos políticos gostaram muito dessa forma de usar dinheiro público passando por cima da Lei de Licitações, o uso do cachimbo entortou a boca e aí estamos nós, de novo, com obras caras e – como as notícias não cansam de mostrar – ineficientes.

Nada contra Jogos Olímpicos, e nada contra que governos invistam de forma criteriosa em sua realização. O que não se sustenta, é a ordem de prioridades. Enquanto se diz que tais investimentos são para conquistar medalhas, o Brasil corre o risco de jogar no lixo a medalha de ouro que possui há quase dez anos, como campeão mundial da produção de alimentos. Enquanto o produtor faz a sua parte, com supersafra após supersafra apesar das regras cada vez mais restritivas de financiamento da atividade produtiva, o armazenamento, a logística portuária, a tragédia das rodovias, a quase inexistência de hidrovias confiáveis, começa a comprometer a posição do agronegócio brasileiro no cenário mundial. E é este campeonato, mais do que qualquer medalha de ouro, que tem garantido a sobrevida da economia e o alimento na mesa da população.


Mas esqueçamos tudo isso, como bons brasileiros que somos. Celebremos as medalhas que não sabemos se virão, enquanto as medalhas da competitividade são jogadas fora...

Data: 29/07/2016 14h05
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