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Coluna do Alexandre Cruz

Alexandre Cruz
Colunista do blog

Vida e a propaganda
Um bom político é que sabe transitar gerando espaços de progresso. Mas não é fácil por de acordo sobre o que é progresso. Se repassarmos o discurso dos principais partidos políticos e atores sociais tudo gira em torno do crescimento. Apesar das dúvidas sobre a capacidade da nossa economia em 2016, direita e esquerda seguem repetindo como se fosse um mantra: se conseguirmos um maior crescimento, se recuperará o emprego, melhorará o consumo e voltaremos o círculo virtuoso. Um mito que ninguém questiona, fruto de uma hegemonia em que o cidadão foi reduzido restritamente como sujeito econômico.


Nível estadual, na Assembleia Legislativa, o fato da deputada estadual Manuela D Avila (PCdoB) levar o seu filho para amamentar trouxe uma certa polêmica e foi notícias dos principais jornais do Rio Grande do Sul. Muitos acostumados com a cultura republicana francesa pelas suas formas e ritos de poder encontraram razões para criticá-la. Mas, eu não irei fazer isso, prefiro ficar com duas coisas que vão além de apenas emitir opiniões: a vida e a propaganda.

A vida: não faz falta ser antropólogo para compreender que uma mãe amametando o seu filho é o mais poderoso icono do poder da mulher. Não necessita ser um nietzcheano para saber que a vida é o nosso modo de estar no mundo. Colocar tão poderosa imagem de vida, geralmente reservada a intimidade do lar, em lugar de ação política democrática, o Parlamento, não deixa de ser um sinal de que outra ideia de progresso é possível. Progressar é ampliar as possibilidades de realização vital dos cidadãos. E isso começa por repensar na relação entre vida e o trabalho.

A propaganda: Vivemos numa sociedade em que a capacidade normativa emana do consumo. Temos visto como a competição política realizada cada vez mais, conforme os modelos publicitários da cultura do mercado. Tenho a impressão que o PC do B está introduzindo nessa legislatura uma figura antiga, anterior a apoteose do mercado: a propaganda. A ideologia se fez marca como produto. O que permite impor uma maneira determinada de entender e organizar o mundo sem o cidadão tenha plena consciência o que significa e as consequências que pode ter sobre a sua vida. Recuperando a propaganda, PCdoB convida regressar o debate ideológico: a confrontação de ideias, ou seja, o modo de interpretar a realidade.

Enfim, a disputa por impor uma determinada leitura da realidade é o que,  pelo menos desde Gramsci chama a luta pela hegemonia. Aí a importância do espaço de comunicação, que é um lugar que configura as formas de interpretação da realidade e a capacidade para determinar os comportamentos sociais. Nas últimas décadas, a política está a reboque do dinheiro e sobretudo do poder normativo que está nas mãos do mercado. A essas alturas, todo o mundo se dá conta de sua impotência, que os mesmos governantes confessam quando se escudam na ideia em que não há alternativa. Desmontar a interpretação hegemônica da realidade é o primeiro passo para que a política recupere o poder perdido. A alternativa é resignar-se a um restrito papel de guardião da ordem? Os políticos falam dos poderes econômicos, da estabilidade e da segurança jurídica. São as verdades que determinam a hegemonia. Recuperar a política começa por questioná-las!!



Data: 22/01/2016 15h37
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