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Opinião: Paris, Rio Doce e a crise de liderança

Tarso Francisco Pires Teixeira
Presidente do Sindicato Rural de São Gabriel e Vice Presidente da Farsul 

A semana iniciou conferindo toda razão a quem já não levava muita fé na humanidade. Em Minas Gerais, duas barragens da mineiradora Samarco romperam,lançando toneladas de rejeitos e resíduos tóxicos na vila de Bento Rodrigues, contaminando o Rio Doce e prejudicando o abastecimento de água de dezenas de cidades mineiras e capixabas.  Em Paris, na França, um atentado realizado pelos terroristas do Estado Islâmico mata 120 pessoas. A repercussão das duas tragédias nas redes sociais traz a fúria dos que se queixam de outras tragédias esquecidas, como o massacre aos cristãos na Nigéria pelos terroristas do Boko Haram, e junto com tudo isso, uma onda de mistificação e histeria,fruto de uma cadeia de crises resultante da maior crise de todas, nesta quadra da história mundial: a crise de liderança.


No Brasil, enquanto vidas eram ceifadas pela lama, nossos líderes e atores sociais tiravam proveito para fazer politicagem barata. Nossa presidente sobrevoou a área com seu helicóptero, e ficou por isso mesmo.  Onde está o Ministério da Integração Nacional? Onde está a determinação da Presidente para mandar para lá as Forças Armadas, cavar poços artesianos e encontrar água? Cidades como Governador Valadares, com mais de 260 mil pessoas, estão sem água pra beber. Mas as lideranças políticas ligadas ao governo só querem saber de lembrar que a empresa em questão, Samarco, é do Grupo Vale, privatizado no governo FHC. Esquecem de mencionar que a mais de 49% da Vale ainda pertence ao governo, que participa da gestão através de ações da ValePar, fundos de pensão e outros. Além disso, nestes doze anos em que o governo é do PT, onde estava a fiscalização?   

Durante todos estes anos, as discussões do Código Ambiental sempre foram para restringir a atividade do produtor rural, jamais das mineradoras.  Qual das atividades, afinal, trazia mais risco ambiental?  Em 2011, durante as discussões da lei, artistas como Wagner Moura, Rodrigo Santoro e Gisele Budchen, gravaram vídeos dizendo que a produção rural brasileira iria destruir os recursos naturais. Onde estão eles agora? Por que tanto empenho contra produtores rurais e nenhum contra poderosas mineradoras? Será porque produtores rurais não patrocinam espetáculos culturais pela Lei Rouanet?

Na crise ocorrida na França, não é diferente. Enquanto vidas são ceifadas pela barbárie, certa mídia de esquerda se apressa em dizer que os terroristas apenas reagem diante da “opressão” que os islâmicos estariam sofrendo na Europa. Qual opressão? A de ter empregos e liberdade de expressão? Será que teriam o mesmo ambiente para se expressar na Arábia Saudita?  Por que cobram da Europa que receba os refugiados sírios, e não cobra o mesmo de países riquíssimos como a Arábia, os Emirados Árabes e a Jordânia?  E os líderes mundiais, porque fraquejam tanto diante de organizações empenhadas em destruir a civilização ocidental?

Nunca como nesta época da história, faltaram líderes capazes de dar respostas adequadas para a crise mundial. Diante do Nazismo, o mundo livre tinha Winston Churchill e Franklin Roosevelt para defender a democracia.  Diante da ameaça da Guerra Fria, o mundo pôde contar com Ronald Reagan, Margareth Tatcher e o papa João Paulo II. Lamentavelmente, diante de inimigos como o terrorismo em escala global e a incompetência nacional, não há quem seja capaz de oferecer um rumo, uma liderança segura. É neste tipo de terreno que costumam prosperar os lunáticos e os messiânicos perigosos. 

Mais do que qualquer recurso natural, o planeta precisa urgentemente de liderança qualificada. 

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