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Coluna do Alexandre Cruz

Alexandre Cruz
Colunista do blog

Que está por detrás da máscara
Conta Schopenhauer que num baile de disfarce um distinto cavalheiro cortejou toda noite a uma dama oculta detrás da máscara. Quando declarou o seu amor, a mulher mostrou o rosto  e o homem ficou perturbado ao descobrir que era a sua esposa. Se sabe que os gregos utilizavam máscaras em ritos dionisico e no teatro, mas é seguro que a intenção de esconder a cara nasce com a mesma auto consciência do ser humano, que surge a necessidade em desdobrar num outro.


Máscara significa etimologicamente fantasma, ou seja, uma presença que remete a uma ausência, um ser que reaparece a cavalo em dois mundos: o presente e o passado. A máscara nos transforma no que não somos sem deixar o que somos.  Sempre me fascinou a iconografia do carnaval de Veneza com belas damas que andam numa gôndolas aos palácios barrocos que circulam no Grande Canal. Damas com máscaras que confundem com a imaginação como as peças de um caleidoscópio e que repetem a natureza misteriosa e inquietante de mulher.

A máscara desapareceu da nossa cultura. Estamos em uma sociedade do espetáculo que o homem não necessita em desdobrar porque já está forçado a assumir o papel que não é para sobreviver.  Digamos que esse mundo onde tudo é representação, a máscara seria um elemento da verdade que põe em evidência a farsa de nossa existência.  Não se necessita realizar careta quando se vive na hipocrisia.

Não sei se entendem bem o que eu digo, mas creio que há um âmbito que ilustra esta impossibilidade que existe em nossa sociedade  entre distinguir a máscara e o rosto. É na política, onde os líderes dos partidos não levam máscaras, ou melhor, levam permanentemente posta em sua própria cara. 

Vimos nessa última semana, Eduardo Cunha buscando encenar que as denúncias como lavagem de dinheiro e corrupção não é com ele, Aécio Neves se apresenta como dirigente ético e não é, Marina Silva finge que não está acontecendo nada e que a Rede pode ganhar as eleições em 2018. E até Dilma Rousseff inábil politicamente e pobre de ideias, que perdeu as rédeas busca transmitir que está no comando.

Obviamente, as pretensões dos quatros líderes deixam em evidência que não são e querem ser: PMDB é um partido desunido, Neves é um dirigente questionado, Silva vai num caminho sem rumo há meses, e o PT tem boas ideias, mas carece de líderes e um programa coerente.

Mesmo sem eleição prevista para 2015, proponho um debate na televisão entre os quatro, cada um escondido por detrás da máscara veneziana. Talvez, tenham coragem de serem sinceros e mostrarmos algo que oculta a vontade de parecer que não são.




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