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03-09 Jantar-baile Os Monarcas - CTG Querência Xucra

Coluna do Alexandre Cruz

Alexandre Cruz
Colunista do blog

Falta que faz a ilustração na nossa sociedade
Na Dialética da Ilustração, livro escrito por Theodor Adorno nos anos 40, encontra interessantes reflexões que são perfeitamente exploradas no presente. Adorno sustenta que a razão ilustrada, que tenta dar uma explicação racional do mundo, foi instrumentalizada pelo poder para legitimar os regimes totalitários como do Hitler. A razão acaba degradando através da propaganda e esta acaba contaminando as culturas de massas, que Adorno define como lixo ao serviço dessas ditaduras.


Numa imagem que reflete a filosofia, Walter Benjamin escreve que em Ângelus Novus, o Anjo da História, que volta horrorizado a um passado que só tem ruínas provocadas pela destruição e a barbárie. Para Benjamin, como para Adorno, a Razão se tornou um pesadelo. Auschwitz é a conseqüência não de uma mente enferma e sim de uma lógica hegeliana levada ao extremo.

Dando um passo mais, Adorno sentencia: “o todo não é verdadeiro”. Ou seja, resulta impossível encontrar a verdade nos sistemas, que sempre classificam em categorias abstratas, os indivíduos e coisificam a realidade em benefício do poder.

'Mutatis mutandis', esta reflexão segue sendo válida porque existe um gigantesco aparato cultural e midiático que orienta o grande público ao consumo e afasta de qualquer reflexão crítica. Uma sociedade narcotizada pela televisão e redes sociais, que banalizam todo que cai em suas mãos.

Se nos anos 30, o fascismo se expandiu rapidamente graças a eclosão dos meios de comunicação de massas, hoje, existem todas as condições favoráveis para o arraigo do populismo e de caudilhos que prometem soluções fáceis aos problemas complexos.

Se o anjo da história voltasse nos tempos de hoje para ver que está sucedendo, veria uma sociedade narcotizada pela televisão e redes sociais, que banalizam tudo que cai nas mãos. A guerra da Síria, a imigração a Velha Europa ou os conflitos tribais na África são percebidos como um espetáculo, como mera ficção de televisão que desaparece ao apertar o controle remoto.

Mas a representação política se transformou também em pura representação onde brilha pela sua ausência no debate ideológico. Os líderes vão as Igrejas para se sobressair como bonzinhos e simpáticos. A política se converteu na arte da empatia.

Esse esvaziamento da política e da cultura, impossível sem deteriorar o sistema educativo, terá suas conseqüências no futuro porque sempre paga um preço por tudo que fazemos. O que estamos semeando hoje será a colheita do amanhã.

Vou afirmar claramente ainda que corra o risco de me chamarem de arrogante: a sociedade brasileira está submetida a um processo de emburrecimento e manipulação que se torna impossível distinguir entre a verdade e a mentira mais flagrante, entre os dados objetivos e a propaganda.

É necessária e urgente a regeneração da nossa vida política e passar as origens da razão ilustrada que reivindicavam Adorno e Benjamin, que não é mais que devolver os indivíduos a sua autonomia intelectual frente ao poder. Dito com palavras mais simples, que os cidadãos aprendam a pensar por sua conta e sejam críticos com que lêem, vêem e escutam. E isso seria uma grande revolução!




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